06 Setembro 2022, 23:15

Economistas alemães antecipam mudança e investimento num país que gosta pouco de arriscar

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Berlim, 22 jan 2022 (Lusa) — Menos de dois meses depois de o novo Governo alemão entrar em funções, os economistas alemães ouvidos pela agência Lusa acreditam que mudanças, ainda que pouco radicais, e investimento, vão começar a ser visíveis.


“Depois de 16 anos de governos em ‘status quo’, é notório que a Alemanha precisa de mudanças e investimentos, principalmente para lidar com as transformações climáticas”, revelou Christian Odendahl, frisando que o país “não faz mudanças radicais”.


Para o economista-chefe do Center for European Reform (CER), o novo Governo, o primeiro a nível federal formado pelo Partido Social Democrata (SPD), os Verdes, e os liberais do FDP, numa coligação chamada “semáforo”, é “ambicioso”.


Andre Wolf, chefe do departamento de investigação de economia internacional do Instituto de Economia Internacional de Hamburgo, alerta para que é preciso não esquecer que os três partidos foram “inimigos políticos no passado” e diferem “consideravelmente”, tanto ideologicamente, como nos interesses que defendem e representam.


“Os próximos meses dentro do Governo serão certamente marcados por uma forte competição interna no rumo a seguir. No final, espero que o chanceler Scholz consiga impor a sua conceção de uma abordagem cautelosa de reformas”, realçou.


Uma abordagem que deverá ser acompanhada de “concessões” aos Verdes e Liberais em alguns projetos, como transformação energética e investimento público, para dessa forma “manter a coligação unida”, defendeu o economista em declarações à agência Lusa.


Até 2030 a fatia das energias renováveis, na Alemanha, deve aumentar para 80% na matriz energética. Os três partidos da coligação apontam ainda que o país deve “idealmente” abandonar o uso de carvão até 2030, e não apenas em 2038.


“A economia alemã entrará numa fase de grande investimento público numa economia sustentável. Principalmente, o fornecimento vai mudar”, sustentou à Lusa o economista alemão Gustav Horn, membro do Conselho Executivo do SPD.


“A quota das energias renováveis deverá duplicar. Ao mesmo tempo, a procura alemã por energia elétrica aumentará. É altamente provável que a Alemanha tenha de importar muito mais energia renovável de outros países europeus do que no passado”, constatou.


“Continuidade” é uma palavra ainda usada pelo novo Governo. Robert Habeck, ministro da Economia e Ambiente, co-líder dos “Verdes”, avançava, em dezembro, estar a trabalhar num novo sistema de incentivo a quem compra carros elétricos ou híbridos, continuando, para já, a pagar o mesmo que o anterior governo.


Uma “mistura inteligente entre pensamento novo e pensamento de ‘status quo'” é necessária para todas as futuras decisões do novo Governo, defendeu o diretor de economia internacional e perspetivas económicas do Instituto Económico Alemão (IW), Jürgen Matthes.


A questão-chave a este respeito, acrescentou, é perceber “o que é realmente inteligente”.


“Os desafios futuros — descarbonização, desenvolvimento demográfico, digitalização e desglobalização — exigem mudanças e políticas voltadas para o investimento que olhe para o futuro”, comentou.


No entanto, como “algumas dessas tendências pressionam a economia alemã”, também deve haver uma “orientação para manter intactas as estruturas económicas existentes até que novas se possam desenvolver”, esclareceu.


Olaf Scholz tomou posse como chanceler em 08 de dezembro de 2021, prometendo “um novo começo” para a Alemanha.



JYD // CSJ


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