05 Julho 2022, 17:52

EcoSophia aposta em projetos sustentáveis como forma de ensino

Susana Faria Administrator

Alfaces, cenouras, pimentos, cebolas, kiwis e laranjas são alguns dos produtos que vão agora ser colhidos do pomar pedagógico e dos canteiros bio, fruto do trabalho dos alunos da Escola EB2/3 Sophia de Mello Breyner, em Arcozelo. Através do projeto EcoEscolas foram desenvolvidas várias iniciativas que, para além de contribuírem de forma sustentável para a preservação do meio ambiente, assumem-se como cruciais para o progresso dos estudantes. O projeto EcoSophia transforma o dia-a-dia de mais de 200 alunos e dá-lhes a oportunidade de se tornarem adultos mais “atentos à realidade e com uma maior consciência de respeito pelo ambiente”.

Todos os dias os alunos da Escola EB2/3 Sophia de Mello Breyner ocupam os tempos livres a cuidar do que demorou meses para verem crescer e florescer: os produtos hortícolas e frutos que foram plantados e semeados pela primeira vez no corrente ano letivo, no âmbito do EcoEscolas.
Trata-se de um programa internacional, implementado em várias escolas do País, que pretende encorajar ações sustentáveis e reconhecer o trabalho desenvolvido pelas instituições de ensino, sempre com uma vertente ambiental e de sensibilização.

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Nesta escola de Gaia, o EcoSophia, como foi «batizado», são desenvolvidas várias atividades para “consciencializar os alunos para o tema da preservação do meio ambiente, de forma a deixar a semente da sustentabilidade e da preocupação ambiental, para que culmine na formação de adultos atentos à realidade, com uma consciência de respeito pelo ambiente”, conta a professora responsável pelo projeto.

“Os alunos gostam muito deste tipo de projetos. Temos casos de turmas que nos pedem para durante as aulas os levarmos aos canteiros e, sempre que podemos, tentamos fazê-lo. Tem sido muito interessante e notámos que com a pandemia existe muito a necessidade de saíram das salas de aula”

O pomar pedagógico e os canteiros bio são as iniciativas «rainhas» deste ano letivo, que estão a ser implementadas pela primeira vez e levam cerca de duzentos alunos a colocar as mãos na terra e a fugir dos habituais métodos de ensino e do confinamento nas salas de aula.
“Os alunos gostam muito deste tipo de projetos. Temos casos de turmas que nos pedem para durante as aulas os levarmos aos canteiros e, sempre que podemos, tentamos fazê-lo. Tem sido muito interessante e notámos que com a pandemia existe muito a necessidade de saíram das salas de aula”, frisou, ao Mundo Atual, Sílvia Couto, realçando que, a pensar nisso, a associação Planear – Núcleo de Arquitetura Paisagista do Porto, da Universidade do Porto, “vai apresentar alguns projetos para tentarmos conseguir financiamento para criarmos uma sala de aula ao ar livre”.

Pomar Pedagógico incentiva aprendizagem

Os alunos do Centro de Apoio à Aprendizagem têm no pomar pedagógico um espaço onde podem fazer aprendizagens e treinar competências que “serão úteis para a vida adulta”, evidencia a professora de Matemática e Ciências, dando o exemplo de um aluno com dificuldades, “que tem muito jeito para o trabalho nos pomares e perspetiva-se que possa tornar-se num bom jardineiro”.
Já os canteiros bio são dinamizados pelos estudantes do 2.º e 3.º Ciclos, depois do Diretor de turma ter sido incumbido de tomar conta de uma parte de um terreno de onde já foram colhidos os primeiros pés de alfaces, que foram entregues a professores, funcionários e alunos, “uma vez que foram eles que os produziram”.
São oito os canteiros, onde são plantados e semeados legumes e plantas aromáticas, sem qualquer aditivo, apenas com terra, água e luz.
Para que não haja a necessidade de recorrer a adubos e aditivos, ao lado dos canteiros, em parceria com a empresa Águas de Gaia e o Centro de Reabilitação das Ribeiras de Gaia, foi instalado um compostor de resíduos orgânicos.
“Esse composto será utilizado para enriquecer o solo dos canteiros bio no próximo ano letivo. A perspetiva é de que daqui a três meses o composto já esteja pronto a ser aplicado na terra, de forma a enriquecer o nosso solo, fugindo, assim, dos fertilizantes químicos”, esclarece a responsável pelo EcoSophia.

«É preciso ter lata» vale prémios à escola

Neste ano letivo, o EcoSophia começou também a dinamizar a atividade «É preciso ter lata», cujo objetivo é o da recolha de latas de uma cor específica, para sensibilizar os alunos para a grande quantidade de produtos que são consumidos diariamente nos cafés e estabelecimentos de restauração. “Definimos uma cor e um material para as latas. No primeiro período a cor eleita foi o vermelho e criamos uma estrutura apenas com latas dessa cor, independente das marcas. A partir daí fizemos a nossa árvore de Natal, com a ajuda dos alunos, pais e professores”, explicou Sílvia Couto.
A recolha começou nas freguesias perto da escola, mas rapidamente se estendeu a várias zonas do Norte do País “e tentamos sempre alertar os alunos que o objetivo não é consumirem as latas, mas sim pedir aos estabelecimentos a cedência das mesmas”. A cor escolhida para o segundo período foi a verde e, apesar das dificuldades em conseguirem latas nesse tom, os alunos esfoçaram-te e a estrutura está quase pronta para dar lugar aos resíduos amarelos, “de forma simbolizar a chegada do sol”. Todos os resíduos são, posteriormente, encaminhados para a empresa Suldouro, ao abrigo do programa Ecovalor e, por cada saco de material separado, é atribuído à escola um prémio monetário.

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