07 Julho 2022, 05:02

Elísio Summavielle aceitou “solução de continuidade” para Centro Cultural de Belém

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Lisboa, 22 abr 2022 (Lusa) — O presidente do conselho de administração do Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, Elísio Summavielle, reconduzido no cargo para um terceiro mandato, disse hoje que aceitou “uma solução de continuidade” para liderar a instituição.


Contactado pela agência Lusa, o responsável recordou que o mandato tinha terminado em março, mas decidiu aceitar o convite que lhe foi endereçado pelo ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, para continuar na instituição que dirige desde 2016.


“Não estava nos meus planos, mas a estima e a admiração que tenho pelo ministro da Cultura fizeram-me ponderar e aceitar o convite”, explicou.


A notícia da recondução foi avançada pela Rádio Renascença, indicando que o novo mandato tem início já na próxima terça-feira, e confirmada pela Lusa junto do Ministério da Cultura.


Questionado pela Lusa sobre os projetos em curso no CCB – nomeadamente da construção de um hotel previsto no projeto original – Summavielle disse que “vão continuar”.


“Esta é uma solução de continuidade e vamos ver se são criadas condições para que se possa avançar com o processo dos módulos 4 e 5, muito embora estejamos num período de contenção na economia e no investimento. Mas vamos dar continuidade àquilo que, nos últimos seis anos, se foi fazendo nesta casa”, acrescentou.


De acordo com a mesma fonte do gabinete do ministro da Cultura, a até agora diretora de desenvolvimento e comunicação do centro, Madalena Reis, irá assumir o lugar no conselho de administração do CCB deixado vago por Isabel Cordeiro, a nova secretária de Estado da Cultura, mantendo-se Delfim Sardo no mesmo órgão.


“A entrada de Madalena Reis para o conselho de administração é uma solução interna que favorece uma maior coesão no conselho e na casa. É uma pessoa muito qualificada e que, de certeza, irá ter um bom desempenho nesta equipa”, comentou à Lusa o ex-secretário de Estado da Cultura.


Elísio Summavielle, que tinha anunciado no ano passado que não pretendia continuar à frente da presidência do CCB, porque queria dedicar-se a projetos pessoais, indicou, em setembro desse ano, que o início da construção dos dois novos módulos, seria adiado para o final de 2023, devido ao impacto da pandemia da covid-19.


Na mesma altura – de apresentação da temporada do CCB 2021/2022 -, Summavielle indicou que se mantinha inalterada a situação do Museu Coleção Berardo, do qual o presidente do CCB é o fiel depositário desde 2019, por ordem do tribunal, envolvendo as 862 obras de arte abrangidas pelo acordo entre o Estado e o colecionador José Berardo, na sequência de um processo que lhe foi interposto por três instituições bancárias.


Foi em 2016, durante a tutela do ministro João Soares, que Summavielle foi nomeado para substituir António Lamas, então exonerado, na sequência de discordância sobre o projeto de gestão integrada do chamado “eixo Belém-Ajuda”, cuja estrutura de missão acabou por ser extinta nesse ano, em Conselho de Ministros.


O historiador Elísio Summavielle foi secretário de Estado da Cultura no Governo de José Sócrates, quando Gabriela Canavilhas era ministra da Cultura, e diretor-geral do Património Cultural no executivo de Pedro Passos Coelho, quando, na altura, o secretário de Estado da Cultura era Francisco José Viegas.


Militante do Partido Socialista, Elísio Summavielle, 65 anos, candidatou-se em 2013 à presidência da Câmara de Mafra, que veio a perder, apesar de o partido ter registado uma subida de votação.


Elísio Costa Santos Summavielle nasceu em Lisboa, a 31 de agosto de 1956, e é licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com especialização em História da Arte.


Depois de uma passagem de três anos pelo ensino secundário, todo o seu percurso profissional tem sido feito na área do património.



AG (NL) // TDI


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