25 Outubro 2021, 13:43

“Em Amesterdão tive uma oportunidade única” – Tomás Silva

Tomás Silva saiu de Portugal há seis anos para estudar em Inglaterra. Concluída a Licenciatura em Ciência Política e Filosofia pela Universidade de York, o portuense desembarcou nos Países Baixos para prosseguir com os estudos no Mestrado em Ciência Política na Universidade de Amesterdão, cidade onde continua a viver depois de lhe ter sido dada a “oportunidade única” de ser professor universitário na faculdade onde estudou. Ao Mundo Atual não esconde que a comida da avó é do que mais sente saudades, mas aos 24 anos voltar ao nosso País está (praticamente) fora de questão até porque a experiência internacional é ainda recente e porque os últimos anos a viver longe já o ajudaram a gerir melhor a (curta) distância para a família e os amigos.

Porque decidiu emigrar?
Em ambas as vezes o objetivo foi puramente académico e educacional. No entanto, a minha permanência em Amesterdão tem a ver com uma oportunidade única que me foi dada de poder lecionar numa Universidade de topo, onde o ensino é aberto, interdisciplinar, e em nada «pretensioso» – isto, pelo menos, nas minhas áreas de estudo.

Por que países já passou?
Estive, numa primeira vez, no Norte de Inglaterra, na pequena cidade viking de York. Neste momento, e já há um ano, encontro-me em Amesterdão, no Norte da Holanda.

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Como tem sido a experiência na Holanda?
De uma forma geral, não considero que vivi a experiência no seu todo para poder fazer uma avaliação completa. No entanto, há caraterísticas no povo holandês e nas sua cultura e forma de viver que se tornam evidentes ao fim de relativamente pouco tempo, e que se refletem em aspetos mundanos como os serviços municipais. Não vou enumerar aspetos positivos e/ou negativos porque há em qualquer País. A verdade é que, antes do confinamento do final de 2020, tive a oportunidade de viver um pouco a experiência da cidade a nível cultural – museus, cinema, eventos académicos – e foi bastante positiva. Agora que as medidas estão a ser levantadas vai ser possível, finalmente, experienciar a vida cultural da cidade de forma plena! Tenho ainda de mencionar que a qualidade dos transportes públicos e as acessibilidades permitem-me não viver no centro de Amesterdão, algo que pessoalmente não quero fazer. Prefiro evitar zonas com muito movimento e confusão, mas conseguir, a qualquer momento, visitar essa confusão.

Como se vive aí esta pandemia?
Por um lado, e tal como em Portugal, houve um confinamento geral no fim de 2020 até os primeiros meses de 2021 que levou ao fecho de cafés, restaurantes, bares e discotecas. No entanto, a cidade não parou completamente. As pequenas ruas do Centrum estavam repletas de pessoas que se encontravam e compravam bebidas e produtos alimentares nos cafés que estavam abertos com takeaway. Os museus e locais recreativos estavam fechados, mas os parques estavam repletos de famílias. Acima de tudo, os habitantes de Amesterdão tiveram a sua cidade para eles – algo raro numa cidade que recebe dezenas de milhões de turistas por anos e é, em comparação com cidades como Lisboa, Madrid, Paris e Berlim, pequena.

Quais são os principais desafios pessoais e profissionais?
A linha entre os desafios pessoais e profissionais é muito ténue – e, nesta fase da minha vida, vejo isso como positivo. Comecei este ano letivo como professor numa Universidade fantástica, inserido num departamento e faculdade muito promissores que, acima de tudo, valoriza os mais jovens e o corpo docente internacional e lhes dá oportunidade de crescimento.

Como gere o facto de estar longe da família e dos amigos?
Talvez por já estar fora há alguns anos já não sinta que estou longe. Na verdade, no mundo atual, a quantidade de voos disponíveis diariamente entre Amesterdão e o Porto permite-me, com o Certificado Digital, viajar quando o meu trabalho me permitir. Por outro lado, prefiro que a minha família me visite e fique a conhecer esta maravilhosa cidade!

Do que sente mais falta?
Esta resposta é clichê, mas o que mais sinto falta é a comida preparada pela minha avó! Felizmente, no que toca a sabores portugueses, existe uma loja de produtos portugueses que frequento assiduamente – para os interessados, chama-se Casa Bocage, e fica na Haarlemmerstraat, bem perto da Estação Central!

Vem com frequência a Portugal (ou vinha antes da pandemia)?
No ano que passou fui a Portugal duas vezes, uma no Natal e outra vez no Verão, devido às dificuldades impostas pela pandemia. No futuro, creio que irei também na altura da Páscoa.

Está nos seus planos regressar definitivamente a Portugal?
Vou dar uma resposta vaga, mas que uso muitas vezes quando me fazem essa pergunta: eventualmente…

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