21 Outubro 2021, 04:12

ENTREVISTA: Covid-19: ECDC admite novos confinamentos “e quanto mais cedo melhor”

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Bruxelas, 12 jan 2021 (Lusa) — O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) admite novos confinamentos na Europa devido ao aumento do número de casos de covid-19 após as festividades de final de ano, defendendo que “quanto mais rapidamente avançarem, melhor”.


“Quando se fala em confinamento, na junção das medidas restritivas, está-se basicamente a paralisar a sociedade […] para conseguir que os números baixem. […] Somos a favor de existirem restrições claras para reduzir o contacto entre as pessoas, independentemente da forma que assumem”, afirma o especialista principal do ECDC para o novo coronavírus e gripe, Pasi Penttinen, em entrevista à agência Lusa.


Numa altura em que Portugal equaciona voltar a um confinamento semelhante ao adotado em abril e maio do ano passado para conter a propagação da covid-19 no país, que atinge novos recordes, o especialista vinca que “todas as medidas que reduzem os contactos entre as pessoas, especialmente em locais movimentados e no interior, são eficazes contra este vírus”.


“E quanto mais cedo estas medidas forem adotadas, melhor é”, afirma Pasi Penttinen, embora apontando que cabe a cada país europeu avaliar o “quão apertadas deverão ser”.


Num relatório publicado no início de dezembro passado, o ECDC alertou para os “riscos adicionais significativos” das festividades de fim de ano, como o Natal, notando que o aumento das infeções de covid-19 seria “muito provável” nesta época.


Na altura, a agência europeia vincou que relaxar as medidas restritivas “demasiado cedo resultaria num aumento de casos e hospitalizações e isto seria particularmente rápido se as medidas fossem levantadas abruptamente”.


Apesar de salientar que “ainda é muito cedo” para avaliar o impacto das festividades na transmissão, Pasi Penttinen diz à Lusa que os países que nessa época festiva mantiveram as restrições estão a registar o “efeito das difíceis e apertadas medidas”, enquanto outros registam aumentos acentuados no número de novas infeções, hospitalizações e mortes.


Portugal, um dos países europeus com medidas mais leves durante as festividades, inclui-se neste último grupo, ao ter registado nos últimos dias números máximos diários de mortes (122) e de casos confirmados (10.176).


“Quando esse tipo de restrições é adotado, normalmente só existe uma tendência de redução após duas semanas, é isso que tem acontecido”, acrescenta o responsável, explicando que os aumentos também só surgem duas semanas após o relaxamento das medidas.


Ainda assim, Pasi Penttinen admite que alguns números possam resultar de questões como atrasos na notificação por parte dos laboratórios, dificuldades no acesso aos testes de diagnóstico e ainda o impacto do inverno.


“O que dissemos antes do Natal foi bastante claro, que […] as medidas restritivas seriam importantes para assegurar que a transmissão não se tornaria ainda mais ativa nestes países e, especialmente, para proteger os sistemas de saúde porque sabemos que no inverno normal, com a gripe, podem registar-se situações de pressão nas urgências e nos cuidados intensivos, por isso esta [a pandemia] é uma razão adicional”, aponta o especialista principal do ECDC.


Nos últimos meses, a agência europeia tem vindo a recomendar medidas mais direcionadas em vez de confinamentos mais generalizados, mas admite agora medidas mais apertadas.


“Em muitos países [europeus], este tipo de abordagem não foi bem-sucedida e, infelizmente, muito frequentemente é preciso apertar estas medidas, passo a passo, até haver impacto na transmissão”, adianta o responsável.


Já quanto à duração do confinamento, “quanto mais tempo, melhor”, conclui Pasi Penttinen.


Sediado na Suécia, o ECDC tem como missão ajudar os países europeus a dar resposta a surtos de doenças.


A pandemia de covid-19 já provocou mais de 1,9 milhões de mortos num total de mais de 90 milhões de casos em todo o mundo.


A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.



ANE // EL


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