07 Setembro 2022, 12:15

Espaço 2022; odisseia na rede – Daniela Maia

Daniela Maia Autor
Administradora Hospitalar

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O mundo mudou, mas- até ao momento- mantemo-nos mortais, efémeros. Não obstante, cada um de nós tem hoje um mecanismo imediato e de grande alcance de se fazer perdurar da forma como muito bem entender, e, sem outro filtro que não seja a autocrítica: a rede.

Quem hoje ronda o meio século de existência talvez sorria ao recordar a série de ficção científica dos anos setenta que antecipava o dobrar do milénio. Espaço 1999. Eu, como muitos da geração X acompanhámos deliciados as aventuras da base lunar Alpha, na sua deambulação pelo espaço, após a Lua ter saído de órbitra na sequência de uma explosão nuclear no planeta Terra.

A distância física e cronológica do virar do milénio, esse futuro longínquo, era alimentada por profecias catastróficas que a sabedoria popular traduzia em, “a mil chegarás de dois mil não passarás” e encontrava terreno fértil num Portugal iletrado e pobre. Estávamos em medos da década de 80 quando chegou ao meu ecrã a preto e branco…

Fã confessa, sentava-me à espera do episódio a cada sábado e, com renovada expectativa, antecipava os desafios semanais do comandante Koenig e da Dra Russell. É difícil pedir às novas gerações que revejam um episódio ignorando a ingenuidade dos efeitos especiais, mas, para nós, aquela era, efetivamente, uma antecipação de um futuro idílico.

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Na base Alpha simulava-se um mundo diferente. As histórias pessoais da tripulação, espartana nas manifestações individuais e Orwelliana nos trajes, eram preteridas pelo sentido de missão da base e esmagadas pelo inabalável espirito de grupo dos seus tripulantes. Dir-se-ia que Gerry Anderson, o criador, não era dado a exuberâncias, já que contrapunha a discrição da equipa às exuberantes personagens, que, semanalmente, surgiam e iam sendo descartadas, numa dialética que inspirou duas temporadas.

Olhando hoje para 1999, percebemos o verdadeiro significado de ficção científica.

O mundo mudou, efetivamente. Embora o instinto de sobrevivência seja, ontem como hoje, o motor da humanidade, que o virar do milénio trouxe não foi a afirmação do espirito de grupo, mas a imposição do indivíduo e dos seus mais básicos instintos de afirmação.

Recordo-me do meu primeiro contacto com a net. Corria o ano de 1994 e a titulo de exemplo, recordo-me de alguém exemplificar o lixo que se encontrava na rede: um ilustre anónimo regularmente os seus pés e dava a conhecer ao mundo através de um site criado para esse propósito.

O mundo mudou, mas- até ao momento- mantemo-nos mortais, efémeros. Não obstante, cada um de nós tem hoje um mecanismo imediato e de grande alcance de se fazer perdurar da forma como muito bem entender, e, sem outro filtro que não seja a autocrítica: a rede.

E este é um universo cruel. Com a mesma importância e cadência, alimentam as nossas páginas diárias, a imagem do repasto no restaurante da moda, a selfie em pose, a notícia do último bombardeamento eu catástrofe natural, ou os 1100 aforismas de autoajuda para todos os gostos.

E é neste universo instável que, em 2022 Portugal chega ao Espaço. Não sei muito bem quem era o comandante, a tripulação, mas o que vos posso afiançar é que a Bandeira Nacional foi hasteada nele hasteada por um mediático porta estandarte que, só no facebook, alcançou 14.000 gostos, mais de 700 partilhas e 1.100. 000 falam sobre isto.

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