18 Agosto 2022, 14:04

“Esta forma de ensino é tremendamente injusta” – Filinto Lima

Andreia Cavaleiro AdministratorBlocked

Foto: Pedro Trindade (Mundo Atual)

Filinto Lima, Presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, não tem dúvidas que professores e alunos estão mais “habilitados” para esta nova fase de ensino à distância, no entanto não deixa de o considerar um método tremendamente injusto no “elevador social” que é a escola.

São cerca de 1,2 milhões os alunos que trocaram, na passada segunda-feira, as salas de aulas pelas secretárias de casa naquele que é o regresso do ensino não presencial.

O Governo começou por fechar todas as escolas por um período de 15 dias, dando aos alunos o tempo para férias, mas cerca de uma semana depois, e com os números da pandemia sempre a subir, anunciou o regresso do ensino online sem avançar data para o seu término.

Filinto Lima, no primeiro dia de aulas, admitiu, ao Mundo Atual, que há diferenças relativamente ao ano passado, mas não esconde que ainda há dificuldades.

“Apercebi-me que há mais computadores e mais dispositivos móveis porque há alunos que estão a assistir às aulas através do telemóvel”, começa por revelar, acrescentando: “Isto acontece porque o Governo entregou 100 mil computadores e as autarquias também ajudaram”.

No caso de Gaia, concelho onde Filinto Lima é Diretor de um Agrupamento Escolar, o também docente não deixa de ressalvar que a “autarquia ajudou de uma forma fantástica” recordando ainda que no final do ano passado a Câmara atribuiu verbas aos agrupamentos para a compra de computadores para os professores e educadores, equipamentos que “já entreguei na passada sexta-feira”.

No entanto, é certo “ainda há alunos sem equipamento ou sem acesso à Internet”, algo que Filinto Lima revela que em Gaia, por exemplo, é colmatado com o “transporte dos exercícios para os alunos e, depois, para a escola”, através de uma parceria com o Município.

“Esta é uma solução positiva para não deixar ninguém para trás”, defende.

O Presidente da Associação Nacional dos Diretores admite, porém, que as consequências do ensino não presencial são evidentes e afetam muitos alunos.

“A escola é um elevador social. Quando este elevador é «alimentado» pelo ensino não presencial há alunos que sobem muito pouco e há outros que descem muito”, compara, acrescentando: “Esta é uma forma de ensino tremendamente injusta”.

“Não podemos falar só da falta de computadores… Um aluno que não tem um ambiente salutar de aprendizagem não vai aprender; um aluno que não tem uma secretária para pousar o computador também não; se não tem uma refeição quente à hora do almoço, como tinha na escola, não aprende nada”, defende.

 

Professores estão mais “habilitados”

A experiência do ano passado fez com que hoje, frisa o dirigente, os professores estejam mais bem preparados e mais à vontade com ferramentas “como o zoom ou o classroom”.

“Já há mais experiência e nós demos, inclusive, formação a quem não estava tão familiarizado com as tecnologias. Hoje os professores estão mais habilitados e têm mais competências digitais”, salienta.

Filinto Lima revela mesmo que há atualmente docentes que já não dispensam o recurso às novas tecnologias para dar as suas aulas, algo que antes da pandemia não acontecia.

“Há colegas que não gostavam muito de recorrer às novas tecnologias. Usavam os meios tradicionais para dar as aulas dispensam e hoje já não dispensam a componente digital porque, como se costuma dizer, a dificuldade aguça o engenho…”, frisa.

Filinto Lima gostava de já “amanhã regressar à escola” e apelida este como “um ensino de emergência” pela “saúde de todos”, mas espera que “num curto espaço de tempo” alunos e professores possam voltar “mas em segurança”.

 

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