23 Outubro 2021, 15:52

EUA eleitos para o Conselho de Direitos Humanos da ONU após ausência de quase quatro anos

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Nações Unidas, 14 out 2021 (Lusa) — Os Estados Unidos da América (EUA) foram hoje eleitos pela Assembleia-Geral da ONU para um mandato de três anos no Conselho de Direitos Humanos, após uma ausência de quase quatro anos que foi decidida então pelo Presidente Donald Trump.


Na votação de hoje, realizada por voto secreto, 18 países eram candidatos aos 18 lugares disponíveis no Conselho, cujas funções terão início a 01 de janeiro do próximo ano.


Os EUA obtiveram um total de 168 votos entre os 193 Estados-membros que compõem a Assembleia-Geral da ONU.


Em fevereiro passado, a nova administração norte-americana, liderada pelo Presidente Joe Biden, anunciou a intenção de se envolver novamente no Conselho de Direitos Humanos da ONU, que o executivo de Donald Trump abandonou, em 2018, acusando-o de hipocrisia.


Em reação à eleição de hoje, o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, congratulou-se com este regresso, afirmando que Washington irá trabalhar “vincadamente para assegurar que o Conselho mantenha as mais elevadas aspirações” e para que “apoie melhor aqueles que lutam contra a injustiça e a tirania em todo o mundo”.


“O caminho para a proteção dos direitos humanos e das liberdades fundamentais será repleto de desafios. Os Estados Unidos comprometem-se a continuar com esta firme procura, em todas as oportunidades, com todos os países que se juntarem a nós”, afirmou o chefe da diplomacia norte-americana num comunicado enviado às redações.


A Eritreia, acusada por várias organizações não-governamentais (ONG) de cometer violações dos direitos humanos, também foi hoje eleita para o Conselho, com uma votação de 144 votos.


Os restantes países foram todos eleitos para o Conselho de Direitos Humanos com votações superiores a 170 votos, a saber: Benim, Camarões, Gâmbia, Somália, Emirados Árabes Unidos, Índia, Cazaquistão, Malásia, Qatar, Lituânia, Montenegro, Argentina, Honduras, Paraguai, Finlândia e Luxemburgo.


Criado em 2006, o Conselho tem a responsabilidade de reforçar a promoção e a proteção dos Direitos Humanos.


O órgão é composto por 47 membros que estão distribuídos geograficamente.


A atual Alta-Comissária da ONU para os Direitos Humanos é a ex-Presidente chilena Michelle Bachelet, que foi designada para o cargo em 2018.


A entrada da Eritreia no Conselho abre mais uma vez o debate sobre a presença de regimes autoritários e repressores de liberdades neste que é o mais alto órgão da ONU em matéria de Direitos Humanos, questão que já tinha sido levantada no passado a propósito da China, da Bielorrússia ou da Venezuela.



SCA // EL


Lusa/Fim

Sem comentários

deixar um comentário