02 Dezembro 2021, 18:45

EUA pagam 2,5 milhões de dólares à Câmara da Praia por terreno da nova embaixada

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Praia, 28 abr 2021 (Lusa) – A Câmara da Praia fixou em 2,5 milhões de dólares a venda de um lote de terreno no centro da capital cabo-verdiana ao Governo dos Estados Unidos da América (EUA), que ali pretende construir a nova embaixada.


Os termos da venda constam de uma deliberação da Assembleia Municipal da capital cabo-verdiana, publicada em 27 de abril, aprovando as várias adendas ao negócio, acordado em 2019 e que após o Departamento de Estado dos EUA ter acionado o direito de preferência, envolve um lote de terreno que passa dos anteriores 22.506 metros quadrados (m2) para 23.119,34 m2.


Com estas alterações, o negócio de venda do terreno, na Várzea da Companhia, em pleno centro da cidade da Praia, passa dos 2.450.000 dólares (cerca de dois milhões de euros) previstos anteriormente para 2.516.768 dólares (quase 2,1 milhões de euros), conforme consta da deliberação municipal que aprovou por unanimidade o novo contrato com os EUA.


De acordo com as autoridades cabo-verdianas, o projeto para a construção da nova Embaixada dos EUA está orçado em cerca de 200 milhões de dólares (165 milhões de euros) e envolveu a aquisição ao Estado de Cabo Verde, por quase cinco milhões de euros, da Escola Secundária Cónego Jacinto, e deste terreno da Câmara da Praia, que é contíguo.


Esta obra ainda não arrancou, sendo que a Escola Secundária Cónego Jacinto, que entrou em funcionamento no ano letivo de 1992/93, situada na zona baixa da cidade da Praia, alberga 1.800 alunos, 110 professores e 20 funcionários, segundo dados de 2019.


Na mesma altura, o então Ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades de Cabo Verde, Luís Filipe Tavares, garantiu que a obra só avançaria após a transição dos alunos para a nova escola.


“A decisão de construção de uma embaixada de raiz dos Estados Unidos em Cabo Verde acontece 200 anos após o estabelecimento das relações consulares e 44 anos após o início de estabelecimento de relações diplomáticas”, disse na altura o ministro, esclarecendo os contornos do negócio.


Para o governante, esta transação significa “confiança dos Estados Unidos, do povo americano, no povo de Cabo Verde” e “vem na sequência de uma estratégia mútua de reforço das relações entre os dois países”.


“É uma prova de confiança inequívoca dos Estados Unidos em Cabo Verde”, insistiu, recordando que este é o país com a maior comunidade de cabo-verdianos no mundo.


O projeto de construção desta nova embaixada, afirmou, “vai ter um impacto muito importante na economia, diretamente e pelas externalidades que vai criar e gerar numa zona nobre da cidade”.


Segundo o governante, que deixou as funções em janeiro último, foram levados em conta vários cenários, equacionados vários locais e analisadas questões como a segurança, tendo em conta que a futura embaixada — atual liceu — fica perto do Palácio do Governo.


E assegurou: “Não há motivo nenhum para preocupações”.


“Os dois governos são sérios, esta é uma parceria estratégica que muito orgulha os cabo-verdianos e os norte-americanos”, referiu.


Com a venda da propriedade do Estado, que ocupa uma área de quase 13 mil metros quadrados, o Governo vai receber 5,8 milhões de dólares (4,8 milhões de euros). O negócio prevê que o edifício regresse à posse do Estado de Cabo Verde em caso de incumprimento ou desvio em relação ao fim que justificou a venda.



PVJ // VM


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