10 Agosto 2022, 19:20

Falta de professores – um problema com soluções fáceis – João Paulo Silva

Professor

Agora que chegou aqui…

Ao longo do último ano, o MUNDO ATUAL tem conquistado cada vez mais leitores.
Nunca quisemos limitar o acesso aos nossos conteúdos, ao contrário do que fazem outros órgãos de comunicação, e mantivemos sempre todas as notícias, reportagens e entrevistas abertas para que todos as pudessem ler.
Mas precisamos do seu apoio. Para que possamos, diariamente, continuar a oferecer-lhe a melhor informação, não só nacional como local, assim como para podermos fazer mais reportagens e entrevistas do seu interesse.
O MUNDO ATUAL é um órgão de comunicação social independente e isento. E acreditamos que para que possamos continuar o nosso caminho, que tem sido de sucesso e de reconhecimento, é importante que nos possa ajudar neste caminho que iniciámos há um ano.
Desta forma, por tão pouco, com apenas 1€, pode apoiar o MUNDO ATUAL.

Obrigado!

A burocracia sem fim, os poderes ocultos que massacram a dimensão mais nobre do ato de ensinar, como se isso fosse possível de colocar numa folha de excel. As agressões e os insultos que enchem as notícias. As viagens intermináveis, como se os professores fizessem parte de uma tribo nómada. O docente do Porto que é colocado no Alentejo, o de Lisboa que tem de partir para Monção.

A notícia não tem assim tantos anos.

É de 17 de setembro de 2017 e no «Correio da Manhã» podia ler-se que “Mais de 31 mil professores estão por colocar, denuncia a Fenprof”.

Cinco anos depois são mais de trinta mil os alunos que estão sem aulas, segundo a mais representativa organização sindical de Professores.

PUB – CONTINUE A LER A SEGUIR



Parece um cenário completamente contraditório, mas a verdade é simples de constatar – são duas faces do mesmo problema.

Este século tem sido um tempo fácil para bater e tratar mal os professores.

Os sucessivos Governos, ao longo dos últimos vinte anos, procuraram desvalorizar a classe, colocando-a em causa junto da opinião pública. Fizeram sentir a todos os docentes que são uma despesa. As competências que excedem as competências dos professores e que levam os profissionais à exaustão. A burocracia sem fim, os poderes ocultos que massacram a dimensão mais nobre do ato de ensinar, como se isso fosse possível de colocar numa folha de excel. As agressões e os insultos que enchem as notícias. As viagens intermináveis, como se os professores fizessem parte de uma tribo nómada. O docente do Porto que é colocado no Alentejo, o de Lisboa que tem de partir para Monção. No ano seguinte, de Monção entra em Castelo Branco e quem vive no Porto leva as malas para Bragança. Em muitos casos isto acontece no mesmo ano.

Serviu este parágrafo demasiado longo para explicitar que o problema da falta de professores tem responsáveis e nomes. A forma como foram associando a expressão “malandros com muitas férias” aos professores, que se viam anos após anos, sem tempo para cumprir os dias a que tinham direito foi mais um exemplo do que foi dito.

Se juntarmos a este caldeirão negativo, 1050€ de ordenado mensal podemos facilmente perceber que um professor de Gaia não tem condições económicas de ir trabalhar para a Grande Lisboa, onde ninguém consegue alugar casa por menos de 500€. Juntar a isso viagens e alimentação e todos percebem que é impossível deixar a casa, a família e os filhos e rumar atrás do sonho de ser professor.

Portanto, o senhor Ministro da Educação pode dizer que a culpa é dos concursos de professores, dos processos mais ou menos estranhos que eles envolvem. Mas, sabe que está muito longe da verdade.

A falta de Professores deve-se a péssimas condições de trabalho, à desvalorização social da profissão e aos salários miseráveis.

Assim, para resolver o problema temos de atacar estas três dimensões. Oferecendo alojamento, permitindo horas extraordinárias, aumentando as equipas de intervenção social nas escolas, democratizando a gestão e abolindo a dimensão burocrática do trabalho. Tudo isto são medidas de curto prazo que teriam efeitos quase imediatos.

Depois, permitir cursos de especialização que permitam a outros licenciados ou mestres, acederem à carreira de professores. Terá, o Governo, de intervir também na formação inicial de professores e também ao nível dos salários.

As causas estão identificadas, as soluções também – agora em setembro continuará a haver alunos sem aulas, apenas e só se o Governo quiser. Porque os professores existem.

Sem comentários

deixar um comentário