03 Fevereiro 2023, 21:47

Fazer da segunda mão a primeira opção

Inês Duarte Administrator

As metas da reciclagem têxtil são cada vez mais ambiciosas, mas a maioria dos resíduos ainda acaba em aterros. Cada europeu produz por ano cerca de 15 quilos de resíduos têxteis. A «MyCloma» é uma plataforma online de roupa em segunda mão, com mais de 30 mil peças disponíveis, para combater o desperdício têxtil, promover uma economia circular, facilitar o acesso a artigos de alta-costura e promover uma sociedade mais solidária.

As metas da reciclagem têxtil são cada vez mais ambiciosas, mas a maioria dos resíduos ainda acaba em aterros. Cada europeu produz por ano cerca de 15 quilos de resíduos têxteis. A «MyCloma» é uma plataforma online de roupa em segunda mão, com mais de 30 mil peças disponíveis, para combater o desperdício têxtil, promover uma economia circular, facilitar o acesso a artigos de alta-costura e promover uma sociedade mais solidária.

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Guardam-se fotografias dos arrumos de uma garagem. As redes sociais revelam um mercado por explorar. A ideia vinga, a equipa cresce. Cinco jovens empreendedores combatem uma falha no negócio nacional.

Ana Catarina Monteiro, Raquel Azevedo, Inês Juvandes, Rodrigo Passos e Fernando Monteiro arrancaram com o conceito, movidos pela tentativa de desmistificar a venda de roupa em segunda mão. A «MyCloma» tem dois anos e nasceu para promover a economia circular.

“A nossa missão é fazer da segunda mão a primeira opção e mudar o paradigma de compra e venda de roupa em segunda mão em Portugal. Promover uma economia mais circular, sustentável e uma sociedade mais solidária”.

A filosofia do grupo é intocável: quebrar o paradigma pejorativo de vestir roupa usada, fazer da segunda mão a primeira opção, massificar o acesso, com a sustentabilidade agregada, o respeito pelo ambiente.

“Prolongar o ciclo de vida das peças”, frisa Ana Catarina Monteiro, ao Mundo Atual.

Todos os dias, colocam-se artigos na plataforma «online». Roupa de mulher, homem, criança, acessórios e calçado de todos os tamanhos, desde o mais antigo ao mais recente. Pioneira na venda de artigos de vestuário em segunda mão nas lojas de retalho, a plataforma portuense associou-se ao grupo «Auchan» e abriu, em novembro de 2020, no hipermercado de Matosinhos, o primeiro espaço «ReUse», com peças de vestuário a preços acessíveis. Hoje em dia, existem “dez espaços «ReUse» em hipermercados «Auchan» de norte a sul do país”.

Ana Catarina Monteiro assume a ambição de um dia “reforçar a posição no mercado português e, simultaneamente, expandir e crescer em mercados internacionais”. Para isso, reconhece, é preciso fazer um “grande investimento tecnológico” que permita “escalar” a operação e “revolucionar” a forma como apresenta “a oferta de valor aos clientes”.

Na ocasião, estão já previstas mais sete ou oito aberturas em 2023, admite. Ter presença assegurada “em todas as 33 lojas Auchan de Portugal”, é o objetivo deste grupo portuense.

A componente social é ponto assente. Fazem-se projetos de «upcycling» com vestuário que ia para o lixo, doações a instituições e 80% das vendas dos artigos de luxo revertem para pessoas carenciadas, de Portugal à Ucrânia, na campanha «A solidariedade não tem preço».

“A nossa missão é fazer da segunda mão a primeira opção e mudar o paradigma de compra e venda de roupa em segunda mão em Portugal. Promover uma economia mais circular, sustentável e uma sociedade mais solidária”.

A «MyCloma», juntamente com várias Instituições Particulares de Solidariedade Social e estabelecimentos prisionais, lançou o primeiro artigo próprio: uma tote-bag que junta a ética ambiental e a reinserção social no mesmo projeto. Estes artigos nascem de restos de roupa já “obsoleta”, que não cumprem os critérios de venda da empresa e são produzidos artesanalmente por utentes e reclusos de várias associações e estabelecimentos prisionais portugueses, para os quais reverte parte do lucro.

Inês Juvandes idealizou e desenhou a tote-bag, garantindo que “o objetivo era criar uma peça diferenciadora pelo seu design, com uma identidade própria e
irreverente, prática e útil”.

“A mudança começa também no que vestimos e, por isso, queremos oferecer aos nossos consumidores peças diferenciadas, únicas e a um preço acessível. Este novo segmento permite-nos tornar o luxo, que normalmente associamos a preços elevados, acessível a todos”, refere Ana Catarina Monteiro.

Dior, Gucci e Christian Loubotin são algumas das insígnias globais que é possível encontrar na «MyCloma».

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