19 Janeiro 2022, 20:08

França inicia presidência do Conselho da UE entre a ambição e o espetro das presidenciais

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Paris, 01 jan 2022 (Lusa) — França sucedeu hoje à Eslovénia na presidência rotativa do Conselho da União Europeia (UE) com a ambição de uma Europa mais soberana e um modelo económico ambientalmente sustentável, mas o país vai também estar focado nas eleições presidenciais.


As ambições expressas pelo Presidente francês, Emmanuel Mácron, colidem neste momento com a evolução da pandemia de covid-19, já que o agravamento da situação epidemiológica devido à variante Ómicron está a ensombrar o horizonte de 2022, mas também com as eleições presidenciais francesas agendadas para abril, escreve a agência de notícias EFE.


Embora ainda não tenha confirmado a sua candidatura à presidência, Emmanuel Macron é apontado pelas sondagens como favorito à passagem à segunda volta e à reeleição.


No discurso de Ano Novo, o chefe de Estado francês reiterou o papel da Europa como instrumento de solidariedade e crescimento. Por outro lado, os outros candidatos confirmados à presidência estão a fazer campanha contra o ‘Macronismo’, que representa atualmente em França aqueles que defendem inequivocamente o multilateralismo e a aliança europeia, em oposição aos discursos identitários que dominam grande parte da campanha eleitoral.


A última vez em que França esteve ao leme do Conselho da União Europeia foi em 2008, sob o comando de Nicolas Sarkozy. Agora, caberá a Emmanuel Macron liderar os debates do Conselho, que reúne representantes dos 27 Estados-membros com cargos ministeriais e legislativos, com o objetivo de alcançar compromissos e aproximar posições.


Paralelamente, o Presidente francês terá oportunidade de organizar reuniões informais entre países, dando prioridade a certas questões, como a autonomia no fornecimento de produtos estratégicos; o encorajamento de um novo modelo de crescimento económico; a cooperação no interior das fronteiras europeias; o reforço da soberania externa; a reforma do espaço Schengen e a revisão do quadro orçamental dos acordos de Maastricht.


Segundo Emmanuel Macron, a Europa não poderá responder aos desafios climáticos, sanitários, culturais ou digitais que enfrenta confiando nas regras criadas nos anos 1990. Por isso, defende uma “discussão estratégica” sobre estas matérias.


“Temos de definir juntos a Europa de 2030. A construção de filiais industriais fortes e integradas, hidrogénio, baterias, espaço, semicondutores, a nuvem, a defesa, a saúde, a cultura e as indústrias culturais e criativas irão estruturar este mundo”, disse Macron em dezembro, quando apresentou os principais eixos da sua liderança.


Em França, a oposição receia que Macron utilize esta presidência europeia para ‘ficar com os louros’ de certos projetos. Entretanto, em Bruxelas, algumas vozes, como os Verdes, lamentaram que França não tenha pedido para adiar a sua presidência por causa das eleições, como poderia ter feito, e temem que a imobilidade reine a partir de março, quando o chefe de Estado francês se concentrar na sua campanha interna.



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