22 Outubro 2021, 23:11

Gaia aprova concurso para construção da nova Ponte sobre o Douro

A Câmara de Gaia lançou hoje, numa reunião extraordinária, o concurso para a conceção e construção da nova Ponte sobre o Rio Douro, a travessia D. António Francisco dos Santos, proposta aprovada por unanimidade.

Num processo que começou em abril de 2018, Eduardo Vítor Rodrigues começou mesmo por fazer uma cronologia dos acontecimentos, recordando a “ideia lançada por dois municípios que se uniram para resolver problemas de ambos os lados”.

Nessa altura, os valores estimados para a obra eram de 12 milhões de euros, valor que subiu para os 16 milhões de euros, algo que o autarca explica com o facto de Gaia ter “aproveitado a obra para redesenhar o território e não ter a ponte a acabar na Rua do Areínho”, assim como com os preços de mercado e a atualização do projeto com as exigências da Agência Portuguesa do Ambiente.

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“Não houve derrapagem, o que houve foi o aproveitamento do momento para fazer uma obra digna. Abdicámos da solução minimalista”, reforçou Eduardo Vítor Rodrigues, aos jornalistas, já no final da reunião, refutando as críticas da oposição.

A nova travessia, que liga Quebrantões (Oliveira do Douro) à Avenida Paiva Couceiro, na Marginal, no Porto, localizada a montante da Ponte Luís I, vai custar, então, 36,9 milhões de euros (ao que acresce 1,8 ME para os projetos), sendo que a Gaia cabe uma parcela de 60% desse valor e ao Porto os restantes 40%. A ponte terá uma extensão de 625 metros, 300 dos quais sobre o rio.

“Gaia paga oito milhões de euros pelo tabuleiro, dez milhões de euros para acessos em área seca e mais três milhões de euros pelos acessos rodoviários, o que perfaz o total, arredondado de 22 milhões de euros”, revelou, acrescentando que o valor é “distribuído por três ou quatro orçamentos anuais”.

Eduardo Vítor Rodrigues voltou a frisar que os custos são repartidos pelas duas autarquias, mas que cada um paga os acessos, o que no caso de Gaia é mais dispendioso.

Agora, o processo segue para a Assembleia Municipal de Gaia (20 de maio), seguindo-se a publicação em Diário da República. Depois contam-se 30 dias para apresentação de candidaturas e levantamento do caderno de encargos, sendo que em meados de junho ou julho começam a contar os 210 dias para a apresentação de propostas.

Ou seja, apenas no início de 2022 o processo burocrático deve estar concluído, prevendo-se que as obras de construção arranquem em 2023 e se prolonguem até agosto de 2025.

“Esta é uma obra estruturante, fundamental para Gaia. Não vamos construir uma ponte no Douro. Vamos construir uma obra de arte”, defendeu o autarca.

PSD votou favoravelmente, dando “beneficio da dúvida”

Pela voz de Cancela Moura, os vereadores do PSD – já com Pedro Oliveira no lugar deixado por Duarte Besteiro – deixaram críticas ao processo, sobretudo à subida dos valores a pagar, mas acabaram por votar favoravelmente.

“A proposta de contratar a empreitada que hoje nos é presente para deliberar, começou do fim para o princípio”, começaram por defender.

O PSD recordou que em 2018 a obra era anunciada com um valor de 12 milhões de euros e que estaria concluída em 2022 para acrescentar que “os custos em vez de serem repartidos equitativamente pelos dois municípios, afinal, Gaia pagará 60% do custo total da obra”.

“Tememos o facto que Vila Nova de Gaia esteja a ser injustamente prejudicada”, defenderam.

Ainda assim, “concedemos o benefício da dúvida e iremos votar favoravelmente a empreitada por se tratar de um investimento estruturante para o concelho”.

Porto adia lançamento do concurso

À mesma hora, no Porto, Rui Moreira deu indicações para que não fosse assinado o contrato para o lançamento do concurso, depois das críticas da oposição sobre a condução do processo.

“Se não querem, é simples: a senhora [Cátia Meirinhos, administradora Executiva da GO Porto, empresa municipal que vai assumir a gestão da obra] fica com a incumbência de não assinar o contrato. Vamos preparar uma proposta para vir à Câmara nos próximos 15 dias. (…) Desafio os partidos aqui presentes a votar contra”, instou o independente Rui Moreira, na reunião do executivo desta manhã.

Os vereadores do PS, PSD e CDU criticaram a falta de debate e transparência na discussão das opções do traçado para a nova ponte D. António Francisco dos Santos.

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