28 Setembro 2021, 05:59

Gondomar: Novo Centro da Água vai custar 8 milhões de euros

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

A transformação da antiga Estação de Captação de Águas de Foz do Sousa, um edifício localizado em Gondomar abandonado há três décadas, em Centro de Excelência da Água vai custar oito milhões de euros.

O investimento é da Águas Douro e Paiva (AdDP) que prevê ver a empreitada concluída em 2025.

“Depois desta cerimónia lançaremos o concurso público. Este é um projeto de referência para o Norte e o Grande Porto”, disse José Luís Machado Vale, da AdDP, na sessão que esta manhã decorreu na Foz de Sousa e na qual foi assinado um memorando de entendimento entre a entidade a que preside e os municípios do Porto e de Gondomar.

O espaço, que se localiza no concelho de Gondomar, mas é propriedade das Águas do Porto, está fechado há cerca de três décadas, tendo sido vandalizado.

Agora a AdDP vai transformá-lo em Centro de Excelência da Água, um projeto que inclui uma vertente museológica e a criação de um serviço educativo na área da educação ambiental.

O espaço exterior também será arranjado e aberto à comunidade.

Hoje foi garantido que o edifício será ecoeficiente, tendo um funcionamento sustentável.

Já em comunicado enviado à Lusa após a sessão, a AdDP refere que “este projeto pretende proporcionar à comunidade científica e profissional um espaço de investigação, desenvolvimento, inovação e consequente partilha de conhecimento, disseminação de boas práticas e de soluções inovadoras para o setor da água, que respondam aos desafios das alterações climáticas, da economia circular, da eficiência energética, da economia 4.0 e da educação ambiental”.

Em causa está um espaço classificado pelo Ministério da Cultura, em 2010.

“Há sete anos que sigo este projeto. Falaram-me da espantosa máquina industrial que aqui existiu e disseram-me que já tinham levado coisas e que o cenário era desolador. Era inaceitável que este edifício continuasse com esta degradação. Encontrou-se uma solução: será um centro de saber ligado à água”, disse o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, que presidiu à cerimónia.

O governante também destacou o papel da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) como parceira do projeto, enquanto sobre a AdDP disse que “isto mostra a autonomia económico-financeira que a empresa atingiu após este Governo ter contrariado o exercício de centralismo do último Governo da direita [PSD/CDS-PP]”.

Já o presidente da Câmara de Gondomar, Marco Martins, estimou que as obras possam começar “em 2022 ou 2023” e sublinhou “a importância de preservar a história do abastecimento de água ao Grande Porto”.

Também o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, falou da “memória coletiva” presente neste edifício e considerou que “a região ganha um renovado espaço voltado para os novos desafios ambientais”.

 

Edificada no final do século XIX, a antiga central de captação de água da Foz do Sousa funcionou como o primeiro ponto da primeira rede de abastecimento de água do Norte do país, tendo sido construída pela Câmara do Porto.

Também abasteceu os municípios de Gondomar, Maia e Matosinhos.

O seu funcionamento, mais tarde operado pelos chamados Serviços Municipalizados de Água e Saneamento do Porto, decorreu até ao ano de 1985, quando foi substituído pela captação de Crestuma/Lever, situada na albufeira da barragem então construída.

Ao longo dos anos, várias forças políticas exigiram a requalificação do espaço.

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