17 Outubro 2021, 17:24

Governo disponibiliza mais 2,2 ME para retirar resíduos de S. Pedro da Cova em Gondomar

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

O Governo vai disponibilizar 2,2 milhões de euros para prolongar a remoção dos resíduos perigosos de São Pedro da Cova, Gondomar, depois de ter sido detetado que existem mais 28 mil toneladas.

O presidente da Câmara, Marco Martins, explicou que “no decorrer dos trabalhos em curso” nas escombreiras das antigas minas de carvão de São Pedro da Cova de onde estão a ser retirados os resíduos perigosos ali depositados, foi detetado que existem mais 28 mil toneladas face ao cálculo anterior.

“Mas a boa notícia é que o ministro [do Ambiente, Matos Fernandes] já se comprometeu a fazer uma adenda ao contrato [que visa a remoção] e vai disponibilizar mais 2,2 milhões de euros. Aplaudimos a decisão porque assim não há interrupção de trabalhos como aconteceu na primeira fase”, disse Marco Martins.

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De acordo com o autarca, estas 28 mil toneladas adicionais agora detetadas correspondem a mais 20% de resíduos ainda por retirar.

O último cálculo feito sobre os resíduos industriais perigosos apontava para a existência de ainda 137 mil toneladas no local, isto depois de no passado já terem sido retiradas 105.600 toneladas.

Marco Martins revelou que se deslocou esta manhã ao local com o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) e que este lhe garantiu “ter luz verde” da tutela para prolongar o processo de remoção dos resíduos que teve início em outubro do ano passado.

O autarca de Gondomar referiu que os trabalhos “que iriam acabar em agosto deste ano devem prolongar-se até outubro”.

“Existe um problema, foi detetado, mas também já há solução”, disse Marco Martins.

A adenda ao contrato que garante a remoção, empreitada a cargo da CCDR-N, terá contemplados 2,2 milhões de euros.

Na terça-feira, relativamente à remoção dos resíduos perigosos depositados em São Pedro da Cova, o ministro do Ambiente, Matos Fernandes, informou que a empreitada está a dois meses do final e que foi descoberto que “há provavelmente mais 20% a mais de resíduos do que o LNEC [Laboratório Nacional de Engenharia Civil] estimou”, o que “implica mais 2,2 milhões de euros de investimentos”.

“Temos de o fazer, não podemos perder esta oportunidade”, expôs o ministro no âmbito de uma audição regimental na comissão parlamentar de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território.

Em causa está uma situação que remonta a 2001/2002 e as toneladas de resíduos industriais perigosos provenientes da Siderurgia Nacional, que laborou entre 1976 e 1996, na Maia, e foram depositadas em São Pedro da Cova.

A remoção destes resíduos começou em outubro de 2014, mais de 10 anos depois do depósito, tendo terminado em maio do ano seguinte, com a retirada de 105.600 toneladas.

Para dar seguimento à operação, o Estado alocou a esta empreitada 12 milhões de euros do Fundo Ambiental.

O concurso registou sete candidatos e em abril de 2018 foi anunciado que a remoção terminaria em 2019, mas o processo foi adiado devido a uma impugnação judicial que só conheceu um desfecho a 15 de novembro de 2019.

Ao longo dos anos, esta situação motivou perguntas e requerimentos de partidos políticos, bem como iniciativas locais como vigílias, concentrações e protestos, e o envio ao primeiro-ministro, António Costa, de milhares de postais com a frase “Remoção total dos resíduos perigosos em São Pedro da Cova já”, acompanhada de imagens a simbolizar sinais de perigo.

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