07 Julho 2022, 05:16

Governo e Igreja Católica traçam “frente comum” para combater criminalidade na Praia

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Praia, 22 abr 2022 (Lusa) — O Governo cabo-verdiano e a Igreja Católica no país querem traçar “planos concretos de intervenção” e de ter uma “frente comum” para combater a criminalidade na cidade da Praia, tendo a prevenção e reinserção como dois dos aspetos.


As intenções foram manifestadas durante um encontro entre a ministra da Justiça, Joana Rosa, e os párocos de todas as paróquias da cidade da Praia para debater a contribuição da Igreja Católica na prevenção e combate à criminalidade na capital do país, que é laico e onde cerca de 95% da população é católica.


A ministra da Justiça reconheceu o “papel fundamental” da Igreja na execução de políticas públicas e disse que as duas instituições vão traçar “planos concretos de intervenção”, levando em conta as especificidades de cada paróquia, mas envolvendo todos.


Joana Rosa sublinhou a importância de projetos comuns com a Igreja na prevenção da criminalidade na Praia, mas também na reinserção social dos ex-reclusos, com um plano para “novas práticas” e humanização nas cadeias.


Além disso, deu conta que as atividades religiosas nas cadeias vão ser retomadas, após um período de suspensão por causa da pandemia de covid-19, vai ser alargado o número de visitas e de visitantes e haverá uma aproximação às famílias dos reclusos para criação de formas de socialização.


A ministra revelou ainda que vão ser realizadas mais ações, nomeadamente a formação profissional aos reclusos, tudo para uma maior integração social após cumprimento das penas, já que mais de 70% dos que saem das cadeias são jovens e com pouca escolaridade.


“Precisamos começar de base, nas escolas, na construção de um ambiente de paz, de partilha de bons ensinamentos”, apontou a governante, sugerindo igualmente uma “abordagem diferenciada” dos reclusos, em função da tipologia de crime.


Dizendo que a repressão e agravamento da moldura penal não são as melhores vias, a ministra sublinhou a importância de se trabalhar na prevenção da criminalidade, tendo por isso manifestado a vontade de acabar com os grupos rivais na Praia, os denominados ‘thugs’.


Os párocos da Praia salientaram a pertinência do encontro com a ministra da Justiça, dizendo que é uma “boa nova e sinal de esperança”, e manifestaram disponibilidade para participar no que for possível para combater a criminalidade na capital do país.


O vigário-geral, João Augusto, representante do bispo da diocese de Santiago, destacou a “aproximação” ao Governo e referiu que os pontos abordados pela ministra são “muito caros” à Igreja Católica.


O padre José Eduardo, da paróquia de São José, também destacou a “abertura” do Governo e disse que juntos podem colaborar para a paz social na capital cabo-verdiana, que nos últimos tempos tem registado vários casos de crimes, contra pessoas e o património.


O padre referiu que a criminalidade tem mesmo “atrapalhado” a ação pastoral da paróquia que dirige, que abarca bairros como Tira Chapéu, um dos mais problemáticos da Praia, e entendeu que o encontro poderá abrir novas perspetivas de colaboração.


Neste sentido, defendeu uma “frente comum” e uma “ação conjunta” para combater a criminalidade no maior centro urbano do país, onde jovens e adolescentes “estão vulneráveis”, necessitando de um “trabalho” de base.


Conforme dados divulgados em 30 de março pelo diretor-nacional da Polícia Nacional, Emanuel Moreno, as ocorrências registadas por esta força policial em Cabo Verde aumentaram 33% em 2021, face ao ano anterior.


“Era expectável que em 2021, com a retoma gradual da vida social e económica [após as restrições aplicadas devido à pandemia de covid-19, em 2020], os crimes conhecessem comparativamente um aumento, e é igualmente o que vem acontecendo em várias latitudes do mundo por causa das crises”, afirmou.


No mesmo dia em que foram apresentados os dados, o procurador-geral da República de Cabo Verde defendeu operações especiais de prevenção criminal neste contexto, apesar das aparentes dificuldades na sua operacionalização.



RIPE // LFS


Lusa/Fim

Sem comentários

deixar um comentário