26 Janeiro 2022, 14:02

Greve na Efacec com “adesão maciça”, diz sindicato, mas empresa avança 8% de participação

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Porto, 30 nov 2021 (Lusa) — O sindicato Site-Norte garante que a greve cumprida hoje pelos trabalhadores da Efacec voltou a registar uma “adesão maciça”, obrigando à paragem da produção, mas a empresa avança que só aderiu ao protesto “8% do total” de funcionários.


“Os trabalhadores da fábrica aderiram de forma maciça, em grande número. A adesão foi na mesma ordem de grandeza da última [greve, em 10 de novembro passado]”, afirmou o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Norte (Site-Norte) Miguel Moreira, em declarações à agência Lusa.


Assegurando que a produção “esteve parada” durante as duas horas da greve, que decorreu entre as 14:00 e as 16:00, o dirigente sindical garantiu que “os trabalhadores estão decididos a continuar a luta”, pelo que estão marcadas novas paralisações parciais para os dias 09 e 16 de dezembro, no mesmo horário.


À Lusa, fonte oficial da Efacec afirmou, contudo, que aderiram ao protesto “181 trabalhadores, cerca de 8% do total de trabalhadores da empresa”, sustentando que “são novamente falsas as afirmações [do sindicato] alusivas a uma adesão maciça e aos impactos causados pela greve nas operações da empresa”.


As greves surgem na sequência de paragens forçadas de vários setores da empresa denunciadas pelo sindicato, segundo o qual a Efacec tem visto a capacidade de produção comprometida devido à falta de liquidez para adquirir matérias-primas e pagar a fornecedores.


De acordo com Miguel Moreira, o sindicato está “a insistir” junto do Governo para que se realize, ainda esta semana, a reunião pedida aos ministérios da Economia, das Finanças e do Trabalho e da Segurança Social.


Num comunicado divulgado hoje, a administração da Efacec afirma que a empresa, “à semelhança de todo o tecido empresarial, também tem sentido o impacto global em todos os setores e áreas, devido à disrupção nas cadeias de abastecimento causada pela pandemia”, mas garante que “a produção mantém um ritmo variável, dependendo das encomendas que tem em curso”.


“A atividade comercial e a escolha dos nossos clientes são a prova evidente, assim como as receitas do grupo que serão superiores a centenas de milhões de euros”, sustenta, salientando que “nenhuma empresa parada conquista novos clientes e tem receitas desta ordem de grandeza”.


Para Miguel Moreira, esta é, contudo, “mais uma declaração da empresa que ninguém entende”: “Essas declarações só a empresa é que as entende, porque a realidade é que os trabalhadores continuam parados, infelizmente”, sustenta.


Reiterando a “viabilidade económica e estratégica” da Efacec, a administração diz que “prova disso são os indicadores financeiros e de negócio de 2021.


Neste contexto, a empresa assume-se “confiante no futuro” e diz encarar “com otimismo a expectável recuperação da economia e a conclusão do processo de reprivatização, apoiada na normalização das operações e no retomar do ciclo de crescimento sustentável em todas as unidades de negócio”.


O Site-Norte tem vindo a reclamar a intervenção do Governo, enquanto “dono da Efacec”, para garantir que esta dispõe das matérias-primas necessárias para retomar a atividade com normalidade.


“O Estado, como dono da empresa, deve assumir o controlo da empresa com transparência e deve comprar matérias-primas para pôr a Efacec a trabalhar e a satisfazer as encomendas que tem em carteira”, defende Miguel Moreira.


De acordo com o dirigente sindical, a “falta de dinheiro para pagar aos fornecedores e para comprar matérias-primas é uma situação recorrente na Efacec, que se vem arrastando há muito tempo, mas nos últimos meses agravou-se”, levando à paragem de vários setores da empresa.


“Isto é algo que nós estranhamos bastante, porque não pretendemos que o Governo ponha lá dinheiro e que não queira saber para onde ele vai. Isto é uma empresa do Estado e o que nós defendemos é que a Efacec deve continuar na esfera do Estado e o Governo disponibilizar uma verba para comprar matérias-primas, mas ter o controlo dessa verba e fiscalizar para onde vai o dinheiro”, afirma.


O Governo pretende que o processo de reprivatização dos 71,73% do capital social da Efacec atualmente nas mãos do Estado esteja concluído antes do final do ano, tendo a resolução do Conselho de Ministros que aprovou a terceira fase do processo de reprivatização, admitindo a participação dos dois grupos que apresentaram propostas vinculativas — DST SGPS e Sing — Investimentos Globais –, sido publicada em 08 de setembro em Diário da República.


Entretanto, o grupo português DST SGPS foi o único a apresentar proposta final à compra dos 71,73% da Efacec que estão nas mãos do Estado, segundo anunciou na semana passada a Parpública.


A entrada do Estado na Efacec decorreu da saída de Isabel dos Santos, filha do ex-Presidente angolano José Eduardo dos Santos, da esfera acionista, na sequência do envolvimento no caso ‘Luanda Leaks’, no qual o Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação revelou mais de 715 mil ficheiros que detalham alegados esquemas financeiros da empresária.



PD // EA


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