07 Dezembro 2022, 21:47

“Há mais tempo para te dedicares a ti próprio” – Rui Rios

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Jornalista até 2008, em Portugal, Rui Rios decidiu emigrar para a Eslovénia para acompanhar a mulher por quem se apaixonou e que é hoje mãe das suas duas filhas. Em Lubjliana, fez um curso de esloveno de 80 horas e logo começou a trabalhar na área da arqueologia, atividade que abraçou até ao início deste ano. Agrada-lhe o facto de a cidade ser plana e pequena, pois permite-lhe fazer da bicicleta o principal meio de transporte, e destaca a Natureza, repleta de lagos, montanhas e rios, como uma das melhores características da Eslovénia. Aos 50 anos, não pensa no regresso a Portugal.

Porque decidiu emigrar?
Apaixonei-me por uma eslovena e vivemos juntos, em Portugal (Matosinhos), durante quatro anos. Findo esse período, ela teve o desejo de regressar à Eslovénia. Decidi acompanhá-la. Tivemos duas filhas e aqui estamos há doze anos.

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Por quais países já passou?
Nunca trabalhei em mais nenhum país para além de Portugal e Eslovénia, mas viajei por Espanha, França, Andorra, Alemanha, Bélgica, Holanda, Itália, Croácia, Bósnia, Sérvia e Turquia.

Como tem sido a experiência em Lubjliana?
Assim que cheguei, comecei logo a trabalhar, em Arqueologia, área na qual não tinha nenhuma experiência. As escavações obrigam a um árduo trabalho, pois é bastante físico, consegui adaptar-me. Em Arqueologia, trabalhava, normalmente, 10 horas por dia, pelo que, depois disso, não tinha energia para mais nada. No início deste ano, mudei de emprego e agora trabalho em logística, no máximo oito horas/dia. Deixei de fazer jornalismo profissionalmente (fui jornalista, em Portugal, até 2008, altura em que O Primeiro de Janeiro fechou. Escrevo, esporadicamente, para uma publicação online destinada às comunidades portuguesas, que se chama «Sardinha». O diretor é um português que também vive aqui, o João Pita Costa. A Eslovénia é uma cidade relativamente pequena e isso agradou-me desde o início. É plana, o que torna a bicicleta o transporte ideal para te movimentares. Consegues fazer a cidade de uma ponta a outra em meia hora. O país também é pequeno. Tem dois milhões de habitantes e uma natureza muito bonita, com muita montanha, rios, lagos, etc.

Quais são os principais desafios pessoais e profissionais?
Quando me mudei para a Eslovénia, a língua foi obviamente um problema. Já tinha algumas noções básicas, adquiridas num curso de 80 horas que frequentei em Ljubljana e isso ajudou bastante. De qualquer modo, toda a gente fala inglês em Lubjliana, mas, no que diz respeito ao trabalho, é importante saber fazer entender-me em esloveno. Todos elogiam o meu esloveno, mas veem logo que sou estrangeiro. Depois de 12 anos, continuo a cometer erros, pois é uma língua bastante complicada.
O meu principal desafio pessoal tem sido encontrar a minha paz interior e sentir-me bem comigo próprio e com os outros, o que ainda não atingi na plenitude. Profissionalmente, pretendo encontrar um trabalho na zona geográfica onde me encontro, mas com um salário que me permita viver menos apertado.

Quais são as principais diferenças entre Portugal e o país onde está?
Aqui começa tudo mais cedo e o trabalho acaba também mais cedo. Há mais tempo para te dedicares a ti próprio.

Como gere o facto de estar longe da família e dos amigos?
O «Whatsapp» ajuda bastante, mas por vezes não satisfaz. Não podes dar um abraço a alguém pelo «Whatsapp». Os amigos que tenho na Eslovénia são uma importante ajuda.

Do que sente mais falta?
Dos irmãos e amigos. Às vezes, também de alguns pratos tradicionais portugueses.

Vem com frequência a Portugal?
Uma a duas vezes por ano.

Está nos seus planos regressar definitivamente a Portugal?
É possível, mas ainda não sei.

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