26 Dezembro 2022, 04:31

Helena Carreiras também adverte que não se pode subvalorizar capacidade russa

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Bruxelas, 15 nov 2022 (Lusa) — A ministra da Defesa disse hoje que a União Europeia tem noção de que não se deve “subvalorizar” a capacidade da Rússia, apesar dos recentes progressos das forças ucranianas, admitindo “apreensão” com os bombardeamentos de hoje na Ucrânia.


Em declarações aos jornalistas após participar num Conselho de ministros da Defesa da UE, Helena Carreiras disse que os 27 estavam justamente a conversar, por videochamada, com o seu homólogo ucraniano, Oleksiy Reznikov, quando foram informados dos bombardeamentos russos à capital, Kiev, que viriam a ser seguidos de outros a Lviv (oeste) e Kharkiv (nordeste).


“Naturalmente [foi] motivo de apreensão, parecem ser de facto bombardeamentos muito sérios, talvez dos mais sérios desde o início da guerra”, comentou.


A ministra de Defesa acrescentou então que, “em qualquer caso, o ambiente foi de congratulação com os avanços da Ucrânia, mas também de não subvalorizar aquilo que são os desafios e a capacidade que a Rússia tem, e que estará justamente a procurar reforçar, de se reorganizar”.


“A sensação que temos é que, de facto, estamos a assistir a um momento de recomposição, de regeneração de forças, potencialmente, e que é preciso estar atento e continuar o apoio à Ucrânia”, defendeu.


A ministra especificou que esse apoio deve prosseguir “tanto no plano material, que é muitíssimo importante e decisivo para uma possível vitoria da Ucrânia, como também no plano das narrativas”, designadamente a forma como se explica às próprias opiniões públicas “por que é que é importante continuar a apoiar a Ucrânia”, no que isso representa em termos de defesa dos valores europeus, soberania, independência e a possibilidade de os países terem a sua integridade territorial e liberdade asseguradas.


Na reunião de hoje participou também, no almoço de trabalho, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, que à entrada para a reunião também se congratulou com os progressos alcançados pelas forças ucranianas, mas alertando para o “erro” que seria “subestimar a Rússia”.


“Todos saudamos os progressos que as forças ucranianas fizeram nos últimos dias, em particular com a libertação de Kherson. Tal deve-se à bravura e coragem das forças ucranianas. Ao mesmo tempo, acho que é importante que não cometamos o erro de subestimar a Rússia”, advertiu o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte.


Stoltenberg observou que “a Rússia mantém capacidades militares significativas, um elevado número de tropas”, e já foi possível constatar que “a Rússia está disposta a sofrer elevadas perdas” durante esta sua agressão militar à Ucrânia.


Dois edifícios residenciais foram hoje atingidos num novo ataque russo em Kiev, indicou o presidente do município da capital da Ucrânia, enquanto as sirenes antiaéreas foram ativadas em todas as regiões do país, de acordo com responsáveis da defesa.


Este ataque a Kiev atribuído ao exército de Moscovo surge alguns dias após a retirada das forças russas de Kherson, sul da Ucrânia, e em plena cimeira do G20 (grupo das economias mais desenvolvidas e emergentes) na Indonésia.


Já da parte da tarde, também as cidades ucranianas de Lviv e Kharkiv foram alvo de bombardeamentos, indicaram os respetivos presidentes da câmara, sem fornecer ainda dados sobre vítimas.


Cortes de eletricidade de emergência ou em consequência dos bombardeamentos verificam-se, neste momento, em várias regiões da Ucrânia, segundo as autoridades locais.


A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas — mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,8 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).


A invasão russa — justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.


A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra, que hoje entrou no seu 265.º dia, 6.557 civis mortos e 10.074 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.



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