27 Setembro 2022, 17:00

Histórias de amor e luta de resistência à ditadura e ao colonialismo no Teatro D. Maria

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Lisboa, 16 mar 2022 (Lusa) — A luta contra o colonialismo e a ditadura em Portugal é comum a personalidades como Margarida Tengarrinha, Isabel do Carmo e Adolfo Maria, que levam as suas histórias ao Teatro D. Maria, em Lisboa, a partir de quinta-feira.


“Esta é a minha história de amor” é a peça com dramaturgia de André Amálio, em criação conjunta com Tereza Havlícková, que também assina o movimento, um espetáculo concebido a partir de histórias reais de pessoas que entrevistaram desde 2016.


O passado antifascista, as lutas e as histórias de amor de Margarida Tengarrinha, de 93 anos, de Isabel do Carmo, de 82, e de Adolfo Maria, nascido em Luanda há 85 anos, conhecido pela participação na luta pela independência de Angola, são assim temas centrais na peça que estará em cena na sala Estúdio.


A partir das histórias de vida de pessoas que estiveram envolvidas na luta contra o colonialismo, e de resistentes ao fascismo em Portugal, André Amálio e Tereza Havlícková construíram uma peça de teatro documental que olha para o passado recente de resistência, focando a atenção no amor e nas relações amorosas que nasceram no seio destas lutas.


Perceber o panorama da resistência e da opressão vividas nessa altura, e como é que as relações de amor daquelas pessoas foram capazes de sobreviver à perseguição da ditadura do Estado Novo foram pressupostos do projeto, disse André Amálio à agência Lusa.


Daí que a clandestinidade e o exílio estejam também muito presentes na peça, traduzindo a ‘vida vivida’ das pessoas que agora sobem a palco.


Textos, cartas, documentos e fotografias vão sendo exibidos, ora em palco, ora em vídeo, documentando as vidas lembradas.


No espetáculo, em que tanto o amor como a resistência são observados de forma lata e abrangente, é também recordado como, ao mesmo tempo, os resistentes estiveram na base da sustentabilidade de combates políticos e militares.


A ideia foi sempre a de construir uma peça que pusesse em palco as pessoas que viveram as experiências, e não atores a representarem os seis papéis.


Apesar de nem todos estarem fisicamente em palco — alguns estarão em palco, mas através de vídeo -, todos falam das suas histórias de vida e de amor no tempo da ditadura deposta pelo 25 de Abril de 1974, e de como estas duas facetas de vida acabam por se entrelaçar.


E para que não se perca a memória do país que era Portugal antes de ser libertado pela Revolução dos Cravos, em palco, os protagonistas falarão também dos filhos. E de como muitos deles se tornaram também combatentes, para que a luta dos pais “não ficasse esquecida”, precisou André Amálio.


Esse é, segundo André Amálio, outro dos momentos em que as histórias de vida dos protagonistas das histórias da peça acabam por se cruzar.


“Porque, de certa forma, os filhos são os herdeiros dessa luta dos pais”, referiu o encenador.


E é “importante que nós que não nascemos nessa luta, que é o caso da minha geração, nos coloquemos na pele dos filhos deles e que compreendamos os enormes sacrifícios que eles fizeram”, frisou.


André Amálio, Armando Morais, Isabel do Carmo, Mariana Camacho, Mariana Morais e Adolfo Maria (em cena), Gouveia de Carvalho, Margarida Tengarrinha, Mário Jorge Maria (em vídeo) são as pessoas que contam “Esta é a minha história de amor”.


Com criação e interpretação musical de Mariana Camacho, cenografia e figurinos de Ana Paula Rocha, desenho de luz e direção técnica de Joaquim Madail, e vídeo de Lydie Bárbara, esta produção do Teatro Nacional D. Maria II e da companhia Hotel Europa vai estar em cena na sala Estúdio até 10 de abril.


Terá sessões de quarta-feira a sábado, às 19:30, e, ao domingo, às 16:30.


A 27 de março, Dia Mundial do Teatro, o espetáculo tem entrada livre e haverá um conversa com os artistas no final da sessão, que será interpretada em Língua Gestual Portuguesa.



CP // MAG


Lusa/fim

Sem comentários

deixar um comentário