29 Novembro 2021, 19:59

Hong Kong anuncia proibição de vigília de Tiananmen em local emblemático

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Hong Kong, China, 28 abr 2021 (Lusa) – Hong Kong proibiu a utilização do espaço onde habitualmente se realiza a vigília em memória dos protestos de Tiananmen devido às medidas de prevenção da pandemia da covid-19, noticiou a emissora pública local RTHK.


De acordo com a estação, que citou na terça-feira um porta-voz do Departamento de Lazer e Serviços Culturais do território, já foi comunicado aos organizadores que a realização da vigília de 04 de junho, data em que se assinalam os protestos em Tiananmen, em 1989, não será permitida em Victoria Park, “tendo em conta a última situação do coronavírus”.


Nos últimos sete dias, a região administrativa especial chinesa registou 34 casos, mas destes apenas quatro locais. Desde o início da pandemia foram contabilizados 11.748 casos, com 11.379 recuperados, e 209 mortos.


Este será o segundo ano consecutivo que a vigília não se realiza em Hong Kong: em 2020, a polícia recusou-se a conceder autorização para a vigília, pela primeira vez desde 1990, apontando que seria uma “grande ameaça à saúde pública”, de acordo com a RTHK.


Hong Kong e Macau são os únicos locais na China onde têm sido autorizadas manifestações sobre o massacre de Tiananmen, um acontecimento que continua a não ser reconhecido por Pequim.


Na antiga colónia britânica, a vigília atrai dezenas de milhares de pessoas, e no antigo território administrado por Portugal, algumas centenas.


No ano passado, em Macau, as autoridades proibiram, pela primeira vez em 30 anos, a realização do evento no espaço público, uma decisão então justificada com os esforços de prevenção da covid-19.


Na noite de 04 de junho, as autoridades de Macau montaram uma operação e acabaram por deter duas estudantes e filhas do deputado pró-democracia Au Kam San, com os agentes a apreenderem duas velas e um livro sobre Tiananmen.


Hong Kong e Macau foram as últimas parcelas do território da China sob administração estrangeira.


A transferência da administração de Macau ocorreu no final de 1999, pouco mais de dois anos depois de a China ter recuperado a soberania sobre Hong Kong.


Em ambos os casos, Pequim aplicou o princípio “Um País, Dois Sistemas”, que permitiu a Hong Kong e Macau manterem o sistema capitalista e o modo de vida, incluindo direitos e liberdades de que gozavam as respetivas populações.


As duas regiões têm autonomia em todas as áreas, exceto na diplomacia e na defesa.



MIM // EJ


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