04 Julho 2022, 00:50

Ilibados militares dos EUA envolvidos em ataque fatal com ‘drone’ no Afeganistão

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Washington, 13 dez 2021 (Lusa) — Nenhum dos militares norte-americanos envolvidos no ataque com ‘drone’ no Afeganistão que em agosto causou a morte a vários civis, incluindo crianças, vai enfrentar processos disciplinares, segundo fonte da Defesa dos Estados Unidos.


Fontes do Pentágono citadas pela AP, adiantaram que o secretário da Defesa, Lloyd Austin, aprovou as recomendações sobre eventuais processos disciplinares aos generais que lideram o Comando Central e o Comando de Operações Especiais dos Estados Unidos, com base nas conclusões de uma avaliação independente.


A avaliação independente tinha concluído, em 03 de novembro, que o ataque norte-americano com ‘drone’ que matou civis e crianças em Cabul no final da guerra no Afeganistão não foi causado por negligência e não recomendou qualquer ação disciplinar.


Segundo a AP, que cita um alto responsável da Defesa próximo do ‘dossier’, a avaliação, feita pelo tenente-general da Força Aérea Sami Said, concluiu que houve falhas na comunicação e no processo de identificação e confirmação do alvo do bombardeamento.


Mas Said apurou que o ataque aéreo ao alvo errado ocorreu apesar da adoção de medidas de prudência destinadas a impedir precisamente a morte de civis, indicou o mesmo alto responsável.


Lloyd Austin solicitou aos responsáveis do Comando Central, Frank McKenzie, e do Comando de Operações Especiais, Richard Clark, que revissem as conclusões do relatório e entregassem recomendações.


Os dois comandantes concordaram com as conclusões e não recomendaram qualquer ação disciplinar, revelaram as autoridades, acrescentando que o secretário da Defesa deu seguimento às suas decisões.


Os funcionários do departamento de Defesa norte-americano falaram à agência AP sob a condição de anonimato dado que estas decisões que ainda não foram tornadas públicas.


O ataque de um ‘drone’ em 29 de agosto a um veículo Toyota Corolla branco, vitimou Zemerai Ahmadi e nove elementos da sua família, entre os quais sete crianças. Ahmadi, de 37 anos, trabalhava há muitos anos numa organização humanitária norte-americana.


As informações dos serviços secretos sobre o veículo e a potencial ameaça que representava surgiram apenas alguns dias depois de um bombista suicida ter matado 169 cidadãos afegãos e 13 militares norte-americanos junto a um dos portões do aeroporto de Cabul.


Os Estados Unidos estavam a trabalhar para retirar do Afeganistão milhares de cidadãos norte-americanos, afegãos e outros aliados, na sequência do colapso do Governo afegão e da queda do país novamente nas mãos dos talibãs.


Said concluiu que as forças norte-americanas genuinamente acreditavam que o veículo que estavam a seguir constituía uma ameaça iminente e que precisavam de o atingir antes de ele se aproximar do aeroporto.


O relatório, que foi aprovado pelo secretário da Defesa, Lloyd Austin, faz várias recomendações que foram transmitidas aos comandantes do Comando Central e do Comando de Operações Especiais: que seja feito mais para impedir aquilo a que os militares chamam “viés de confirmação” — a ideia de que os militares encarregados de tomar a decisão de atacar foram demasiado rápidos a concluir que aquilo que estavam a ver estava de acordo com a informação dos serviços secretos e confirmaram a sua conclusão de bombardear aquele que se verificou ser o veículo errado.


A avaliação recomenda que os militares tenham presente junto da equipa de bombardeamentos pessoal cuja tarefa seja questionar ativamente tais conclusões. O relatório sugere que utilizar uma chamada “equipa vermelha” nesses ataques de autodefesa que estão a ser feitos com rapidez poderá ajudar a evitar erros.


Said também recomendou que os militares melhorem os seus procedimentos para assegurar que crianças e outros civis inocentes não estão presentes antes de lançarem um ataque urgente.


Durante dias após o bombardeamento, os responsáveis do Pentágono afirmaram que ele tinha sido corretamente realizado, apesar de aumentarem os relatos de que tinham sido mortos vários civis, adultos e crianças, e das crescentes dúvidas sobre se o veículo transportava ou não explosivos. Said concluiu que os responsáveis fizeram as suas avaliações iniciais com demasiada rapidez e sem análise suficiente.


Embora a avaliação de Said não aponte falhas individuais ou recomende ação disciplinar, os comandantes poderão decidir tomar medidas administrativas quando lerem o seu relatório.


Segundo as mesmas fontes, os responsáveis do Comando Central e o Comando de Operações Especiais dos Estados Unidos concordaram “amplamente” com as recomendações de Said.


Entretanto, os Estados Unidos estão a trabalhar para indemnizar a família das vítimas e potencialmente retirá-la do Afeganistão, mas nada disso foi ainda feito.


 


DMC (ANC) // PDF


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