04 Fevereiro 2023, 02:34

Inflação homóloga na Venezuela atingiu 213% em novembro

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Caracas, 5 dez 2022 (Lusa) — A inflação homóloga na Venezuela atingiu 213% em novembro, segundo dados divulgados hoje pelo Observatório Venezuelano de Finanças (OVF), que indica a que política de intervenção cambial do Banco Central venezuelano “perdeu eficácia”.


“A subida dos preços ganhou ímpeto em novembro, quando a inflação atingiu 21,9% em termos mensais, 213% em termos homólogos e 195,7% acumulados (desde janeiro)”, refere o comunicado do OVF.


Segundo o Observatório, “esta aceleração da inflação ocorreu num contexto de uma depreciação significativa do bolívar (moeda venezuelana) de 43% e de uma perda de reservas de 1.154 milhões de dólares (1.100 milhões de euros) entre novembro de 2022 e novembro de 2021”.


“Isto sugere que a política de intervenção do Banco Central da Venezuela (BCV) no mercado cambial para estabilizar a taxa de câmbio perdeu eficácia e não consegue conter o aumento dos preços, ao mesmo tempo que drena as reservas”, explica o OVF.


Segundo o Observatório, os artigos que apresentaram maior subida de preços foram os de entretenimento, com 30,4%, bens e serviços diversos com 27,9%, educação, com 29,4%, e vestuário e calçado, com 27,5%.


O OVF precisa que o custo do cabaz básico alimentar em novembro foi de 366 dólares (quase 349 euros), mas o salário mínimo básico local continua em 11,62 dólares (11,07 euros).


“A diferença salarial existente tem sido afetada pela subida da taxa de câmbio. Assim, enquanto a remuneração média na Área Metropolitana de Caracas é de 120 dólares americanos (114,36 euros) por mês para o sector privado, no sector público é de apenas 11,62 dólares americanos (11,07 euros) por mês”, explica.


Na Venezuela os preços dos produtos são afixados em dólares norte-americanos e convertidos em bolívares ao câmbio oficial do dia, afixado pelo Banco Central.


Com frequência, os venezuelanos queixam-se de que os valores de referência em dólares sobem frequentemente, elevando consequentemente o preço em bolívares.


Vários comerciantes disseram à Agência Lusa que, apesar da alta inflação, alguns produtos baixaram de preço nas últimas semanas, entre eles o quilograma de queijo amarelo, que passou de 21 dólares para 16 dólares (de 20,21 para 15,25 euros), e a farinha de milho, que chegou a estar a 2,1 dólares (2 euros) e desceu para 1,45 dólares (1,38 euros).


No entanto, o pacote de 200 gramas de café moído subiu de 2,6 dólares (2,48 euros) para 4 dólares (3,81).



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