04 Fevereiro 2023, 02:17

Instalação “Holobionte” reflete violência da maternidade e da natureza no Porto

©Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto
LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

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A instalação-performance “Holobionte ou o Princípio Canibal”, de quinta-feira a sábado no Laboratório Ferreira da Silva, no Porto, apresenta um “gabinete de banalidades” da natureza para refletir sobre a violência implícita nos processos de gestação e maternidade.

Da autoria de Maria Inês Marques e Camilla Morello, a instalação-performance fica patente no Laboratório Ferreira da Silva, no Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, e tem entrada gratuita.

“Concebido como uma desconstrução do gabinete de curiosidades, Holobionte é um ‘gabinete de banalidades’, uma instalação multimédia que integra cenografia, sonoplastia, vídeo e performance, e que convida o público a refletir – a partir de uma interação direta com os objetos em exposição – sobre a violência e fagia implícitas nos processos de gestação e maternidade”, pode ler-se na sinopse.

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Da mesma forma, as relações de simbiogénese e as relações entre vários agentes entre si, do parasitismo a bactérias e outras relações, são aqui exploradas, num laboratório de química e ‘longe’ do contexto de apresentação artística habitual a que o público pode aceder, entrando e saindo quando quiser.

Holobionte, palavra que dá título à criação, define-se como “organismo hospedeiro que funciona graças a um sistema de simbioses integradas com múltiplos agentes, entre eles bactérias, fungos, etc”, e encapsula o objetivo da instalação.

Em entrevista à Lusa, Camilla Morello e Maria Inês Marques notaram como a ideia para esta obra partiu mesmo “como uma semente”, a partir das próprias experiências de gestação por que passaram.

Com ano e meio de trabalho em torno do tema, incluindo uma residência artística, o caminho entre o feminismo e a luta pelos direitos reprodutivos foi parar à ciência que une a gestação a outros caminhos biológicos explorados mais tarde, e a uma perceção de “como a educação ainda falha muito”, sobretudo no que toca a “entender uma violência biológica” que sentiu durante a gestação sem perceber, conta Maria Inês Marques.

“Toda esta inquietação que nos moveu vem também muito a partir de uma narrativa muito idealizada e antropocêntrica, e cristã, e muito machista também, por assim dizer, de uma certa visão do mundo, colonialista. O gabinete de curiosidades é mesmo uma grande metáfora de toda esta maneira de colonizar o mundo que tivemos até agora. O nosso esforço a mexer nesse formato foi de reverter esta dialética”, completa Camilla Morello.

Este equilíbrio “muito delicado” entre fugir a uma “visão antropocêntrica da vida” e não aumentar em “arrogância” levou a este laboratório, retirando-lhe as bancadas centrais e o protagonismo da performance, na qual vão “apenas ativar o espaço”.

As duas “cuidadoras deste habitat”, que estão quase ‘presas’ no seu interior, como se fossem também parte da coleção, servem para estimular o público numa lógica interativa, até por também ter sido pensada com os mais novos em mente, com os objetos ligados a várias narrativas e bases científicas por detrás.

“É uma viagem guiada por placas como se fosse um museu, escritas de uma forma meio ficcional, mas com base científica, e é uma viagem entre a ideia de que vivemos num mundo sem fronteiras em que, em última análise, tudo coopera para a sobrevivência e reprodução das espécies. Desde vegetais, insetos, humanas, enfim. É espalhado pelas periferias do gabinete e estaremos a ativar este espaço laboratorial”, notou Camilla Morello.

A produção da Plataforma Uma, um “trabalho de equipa”, contou com o trabalho de Rui Lima, Sérgio Martins e Emanuel Santos, no som, de Fábio Coelho, no vídeo, cenografia de Cristóvão Neto e desenho de luz de Tiago Silva.

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