17 Setembro 2021, 08:38

Instalação “Natureza fantasma” assinala 10 anos da Companhia Maior no CCB

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Redação, 23 jun 2021 (Lusa) — Catorze peças de Fernanda Fragateiro, dez filmes de Marco Martins e um texto de Gonçalo M. Tavares compõem a instalação “Natureza fantasma”, a inaugurar na quinta-feira, no armazém sul do Centro Cultural de Belém, em Lisboa.


O projeto assinala os 10 anos da Companhia Maior, que se celebraram em 2020. Anualmente, a companhia convida um artista ou coletivo para criar um espetáculo que assinale o aniversário. Em 2020, convidou o realizador e encenador Marco Martins, mas a pandemia da covid-19 acabou por inviabilizar a realização de qualquer espetáculo com o elenco da companhia.


Por isso, Marco Martins, com a artista plástica Fernanda Fragateiro, o escritor Gonçalo M. Tavares e a Companhia Maior, criou uma instalação multidisciplinar que parte das imagens dos velhos álbuns de família de cada um dos 14 elementos da companhia.


O início do projeto consistiu em ir aos álbuns de família, e começar a falar sobre eles, com cada um dos elementos, sobretudo dos álbuns de infância, explicou Marco Martins à agência Lusa.


“Os avós, os pais, bisavós… Falar sobre a infância e sobre a memória daqueles álbuns; o que é que estava ali, quem eram as pessoas de quem eles se recordavam”, disse Marco Martins, acrescentando ter sido a partir daí que também “nasceu quer o texto de Gonçalo M. Tavares, quer as ideias que estão subjacentes aos filmes que depois foram feitos aos membros da companhia”.


No total, a instalação é composta por dez filmes, num projeto que Marco Martins diz ter sido elaborado “quase como um jogo de xadrez”, porque às vezes o realizador avançava com um filme, Gonçalo M. Tavares avançava com um texto ou Fernanda Fragateiro criava uma peça, que depois Marco Martins “articulava com o filme que estava junto a essa peça”.


Questionado sobre o porquê de a instalação se designar “Natureza fantasma”, o realizador disse à Lusa tratar-se de um título “que pode ter várias leituras”.


“É a natureza associada àquelas imagens e àquelas pessoas. A maior parte das pessoas naqueles álbuns de família já não estão cá, e passam a ser só um espírito sem um corpo. Ou uma imagem, um bocadinho como aqueles membros que nos são amputados, mas que nós continuamos a sentir, como quando se corta um braço”, argumentou.


Sobre os filmes, o realizador disse ainda não terem cariz autobiográfico. São, sobretudo, uma reflexão sobre a imagem e de que forma ela condiciona as nossas memórias e a nossa identidade”, sublinhou à Lusa.


Daí que “Natureza fantasma” seja uma instalação em que vários ‘media’ “dialogam entre sim”, e cuja origem partiu dos álbuns de família.


O projeto reflete ainda sobre os tempos que vivemos, já que é também “um reflexo desta pandemia”, acrescentou Marco Martins, pois foi também a pandemia que impediu os elementos da companhia, criada em 2010, de se juntarem em palco, num espetáculo de comemoração do seu aniversário.


“Natureza fantasma”, que está patente num espaço do CCB nunca antes utilizado para exposições — o armazém sul — tem também catorze peças da artista Fernanda Fragateiro, tantas quantas as pessoas que compõem o coletivo e que, segundo Marco Martins, “remetem para as 14 ausências dos membros da Companhia”.


“Murder Must Foul”, de Bob Dylan, e uma frase da escritora dinamarquesa Karen Blixen/ Isaak Dinesen, abrem a página do projeto, no ‘site’ do CCB: “Todas as mágoas podem ser suportadas se colocadas numa história ou se se contar uma história sobre elas”.


A instalação fica patente até 16 de julho e pode ser visitada de terça-feira a domingo, das 10:00 às 18:00, e, a partir de 01 de julho, das 10:00 às 19:00.


“Natureza fantasma” é uma produção do Centro Cultural de Belém, com o Teatro Viriato, a Companhia Maior e a Arena Ensemble.


A Companhia Maior é uma companhia de artistas, maiores de 60 anos, em residência no CCB, criada em 2010, que tem mobilizado para o seu elenco profissionais como Angelina Mateus, Carlos Fernandes, Carlos Nery, Catarina Rico, Cristina Gonçalves, Edmundo Sardinha, Elisa Worm, Isabel Simões, João Silvestre, Kimberly Ribeiro, Manuela de Sousa Rama, Maria Helena Falé, Michel e Paula Bárcia.


Os atores e encenadores Luísa Taveira e Tiago Rodrigues, presentes logo na fundação, estão entre os profissionais com quem a companhia trabalhou, à semelhança de Clara Andermatt, , Joana Craveiro, Pedro Penim, Sofia Dias e Vitor Roriz.



CP // MAG


Lusa/fim

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