20 Outubro 2021, 08:05

Investigadores da ONU lamentam perspetivas extremamente “sombrias” na Síria

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Genebra, 14 set 2021 (Lusa) — O ressurgimento da violência na Síria, combinado com o colapso da economia nacional, está a tornar as perspetivas para os civis cada vez mais “sombrias”, alertaram hoje investigadores das Nações Unidas.


“Após uma década, as partes em conflito continuam a cometer crimes de guerra e crimes contra a humanidade e a violar os direitos humanos básicos dos sírios”, afirmou hoje o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, presidente da Comissão de Inquérito das Nações Unidas sobre a Síria, em conferência de imprensa.


“A guerra contra os civis sírios continua e é-lhes difícil encontrar segurança ou um porto seguro neste país devastado pela guerra”, acrescentou.


No último relatório, que abrange o período de 01 de julho de 2020 a 30 de junho de 2021, os membros da comissão lamentam que não haja esforços para reunificar o país ou procurar uma reconciliação, enquanto as detenções arbitrárias por parte das forças governamentais continuam sem limites.


“A situação geral na Síria parece cada vez mais sombria. Para além da escalada de violência, a economia está em colapso, os leitos dos rios estão no nível mais seco em décadas, e a transmissão comunitária generalizada da covid-19 parece incapaz de ser contida por um sistema de saúde dizimado pela guerra”, disse Karen Koning AbuZayd, que faz parte da comissão.


A responsável vincou ainda que “este não é o momento para ninguém pensar que a Síria é um país capaz de acolher o regresso dos seus refugiados”.


Os responsáveis pelo relatório salientam que dezenas de milhares de sírios estão ainda desesperadamente à espera de notícias dos seus familiares desaparecidos, enquanto dezenas de milhares estão detidos ilegalmente.


Os investigadores lamentaram também um ressurgimento dos combates no país nos últimos meses, com um regresso às “táticas de cerco” como em Deraa, no sul do país, onde o regime cercou bairros rebeldes, sublinhou o comissário Hanny Megally.


Por seu lado, Paulo Pinheiro considerou “escandaloso” que cerca de 40.000 crianças, metade das quais iraquianas e as outras de cerca de 60 nacionalidades, ainda estejam detidas em Al-Hol e noutros campos para pessoas deslocadas e famílias de ‘jihadistas’, devido à recusa dos seus países de origem em aceitá-las.


“Punir as crianças pelos pecados dos seus pais não pode ser justificado”, salientou.


A comissão deve apresentar o relatório ao Conselho dos Direitos Humanos da ONU no dia 23 de setembro.


A violência na Síria matou quase meio milhão de pessoas e deslocou milhões desde o início do conflito, em 2011.



AXYG // ANP


Lusa/Fim

Sem comentários

deixar um comentário