15 Agosto 2022, 22:41

Invocar a inflação para travar aumento salarial é uma tese para o regresso dos cortes

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Almada, Setúbal 19 mai 2022 (Lusa) — O secretário-geral do PCP criticou hoje o Governo por invocar a inflação para travar aumentos dos salários e das pensões, considerando que esta tese “não é mais do que o regresso dos cortes”.


Jerónimo de Sousa falava numa sessão pública “sobre o aumento do custo de vida”, no Laranjeiro, concelho de Almada, na véspera de uma greve da administração pública pelo aumento geral dos salários.


“Esta opção do Governo, esta tese peregrina de que não se aumentam salários e pensões para não agravar a inflação, sabemos a quem serve e para que serve. Ela não é mais do que o regresso dos cortes, agora não por via de uma decisão formal, mas através da real desvalorização dos salários e pensões, e consequentemente da perda real do seu poder de compra”, disse.


O líder comunista considerou que, ao recusar um aumento salarial e de pensões, o Governo impõe aos trabalhadores e aos reformados, com o aumento da inflação, a degradação das suas condições de vida.


Jerónimo de Sousa defendeu que o aumento dos salários e das pensões é a mais importante e decisiva medida “para impedir a corrosão do poder de compra e o empobrecimento acelerado de milhões de portugueses”.


O secretário-geral do PCP referiu ainda que a pretexto da guerra e das sanções “que nada resolvem e só servem a quem lucra e especula com elas” há uma escalada de aumento dos preços de bens, em particular de bens essenciais, como há muito não se verificava.


“Sobe o pão, o gás e os combustíveis, sobe o leite, os vegetais, a carne, o peixe, a massa, o óleo, a fruta, a renda da casa, a luz, sobe tudo, menos o salário, a pensão e a reforma”, disse.


Na opinião de Jerónimo de Sousa, quem está a ganhar com a guerra, com as sanções e com a escalada do militarismo e da destruição é o complexo militar industrial e as grandes transnacionais dos combustíveis e da energia.


“São os grandes senhores do dinheiro dos mais variados setores que tudo controlam em roda livre”, frisou adiantando que os aumentos dos preços são iguais para todos, mas não afetam todos da mesma maneira.


Perante a atual situação, o líder comunista considerou que só existem duas opções, ou encarar “como justificável mais um assalto aos salários e rendimentos” ou engrossar a luta pelo aumento dos salários e das pensões.


Na intervenção, Jerónimo de Sousa referiu as propostas apresentadas pelo PCP no âmbito do Orçamento do Estado, que defende serem possíveis soluções para o aumento do custo de vida, com especial ênfase na valorização dos salários e pensões e na regulação e descida dos preços da energia e dos bens essenciais.


Entre as medidas propostas está também o aumento do Salário Mínimo Nacional para 800 euros em julho, tendo como objetivo os 850 euros no curto prazo.


“Propomos e vamos continuar a propor, mas é preciso que os trabalhadores e a população continuem a colocar no centro da sua ação e luta este combate contra o aumento do custo de vida e pela valorização dos salários, reformas e pensões”, concluiu.



GC // JPS


Lusa/Fim

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