09 Dezembro 2022, 23:04

Israel revoga autorização de viagem a ministro palestiniano após deslocação ao TPI

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Jerusalém, 21 mar 2021 (Lusa) — Israel revogou hoje a autorização especial de viajem ao ministro dos Negócios Estrangeiros palestiniano, Riad al Malki, após o seu regresso à Cisjordânia ocupada após reunião em Haia com o procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI).


De acordo com a agência noticiosa oficial palestiniana Wafa, o cancelamento desta autorização especial, que lhe permitia circular com maior facilidade na Cisjordânia, Israel e Jordânia, ocorreu após a sua reunião com a procuradora Fatou Bensouda no âmbito da investigação do TPI por alegados crimes de guerra de Israel e de grupos armados palestinianos desde 2014.


A delegação de Al Malki também foi interrogada por oficias da segurança israelita antes de entrar em território cisjordano através da ponte de Allenby, uma passagem fronteiriça com a Jordânia.


Apesar de as autoridades israelitas terem evitado pronunciar-se, esta decisão está a ser interpretada como uma represália contra o ministro palestiniano pelo seu envolvimento na investigação, firmemente rejeitada por Israel por recear que seja concluída com a emissão de mandados de detenção internacionais contra altos responsáveis militares e políticos do Estado judaico.


Ahmed al Deek, membro da delegação palestiniana que se reuniu com Bensouda na passada quinta-feira para cooperar na investigação, referiu hoje à agência Wafa que a decisão de revogar a autorização especial de Al Malki “confirma uma vez mais que Israel é um Estado desonesto e vingativo, que não resolve as questões através da lei, mas antes recorre a políticas de intimidação, sanções e ameaças”.


A procuradora de justiça criminal internacional, que abandona o cargo em junho, formalizou no início de março o início das investigações para determinar a prática de crimes de guerra desde 13 de junho de 2014 nos territórios palestinianos ocupados da Cisjordânia, Jerusalém Leste e na Faixa de Gaza, neste caso submetida desde 2007 a um bloqueio imposto por Israel.


Os acontecimentos que estão a ser analisados relacionam-se com a operação militar Margem Protetora em Gaza (2014), a Grande Marcha do Regresso na Faixa (2018) e a colonização israelita com o envio de população civil para colonatos construídos em território ocupado palestiniano.


O TPI também examinará o envio de lança-foguetes na direção de Israel pelo movimento islamita Hamas, que controla a Faixa de Gaza, e por outras milícias armadas ativas neste enclave palestiniano junto à costa do Mediterrâneo.


PCR // MCL


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