06 Fevereiro 2023, 10:31

“Já vivemos um processo que indicia uma catástrofe ambiental e não o vemos!”

Inês Duarte Administrator

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A Associação Portuguesa de Educação Ambiental tem vindo a alargar o âmbito de intervenção e o número de projetos, no sentido de “trabalhar com e para as gerações do presente”, disse, ao Mundo Atual, o presidente da associação, Joaquim Ramos Pinto. “Mudar comportamentos”, no imediato, é o principal foco do responsável.

“É momento de consertar e concentrar atenções na defesa da biodiversidade e no combate à crise climática. Já não se trata de trabalharmos para as gerações vindouras, mas da urgência de deixarmos a palavra e passarmos à ação política, trabalhando com e para as gerações do presente”.

Quem o diz é Joaquim Ramos Pinto, presidente da Associação Portuguesa de Educação Ambiental, que considera como problema estruturante “o processo que indica uma catástrofe ambiental” que “já vivemos”, mas “não vemos!”.

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“Precisamos do ressurgimento de uma sociedade civil global, mobilizada para ajudar a criar novas oportunidades na construção de um mundo melhor – mais democrático e humano – no respeito pelos valores fundamentais e justiça ambiental”, afirma o presidente da ASPEA, ao Mundo Atual.

Isto porque, defende, “nenhuma pessoa ou grupo deve estar sujeito a exclusão, fome ou indiferença, de maneira desproporcional, em resultado de determinadas políticas que ameaçam os seus direitos, liberdades e garantias”.

Dedicada, essencialmente, à formação de professores, nos últimos anos o foco tem estado mais direcionado para a educação ambiental dos jovens. 

Os programas de voluntariado são uma forte aposta da associação. “Este ano, mobilizámos 138 voluntários e contámos com a participação de mais de oito mil pessoas nas nossas atividades”, frisa.

De acordo com o responsável, “as estratégias e práticas de participação social e a intervenção educativa” só podem ser melhoradas a partir de “uma construção partilhada de saberes e experiências”.

É fundamental “pensar e atuar «em» e «no» coletivo” e operar “mudanças nos modos de vida, tendo a Educação Ambiental e a proximidade com os cidadãos como potencial educativo nas políticas locais”, garante o presidente da ASPEA.

Joaquim Ramos Pinto reforça a importância de trazer jovens e gerações “para o debate e construção de políticas públicas que, sendo implementadas no presente, precisam de ser apropriadas para quem as terá de implementar nas gerações futura”.

Há nove anos que Joaquim Ramos Pinto preside à Associação Portuguesa de Educação Ambiental, que tem vindo a alargar o âmbito de intervenção e o número de projetos. “Sem isso, será difícil conseguir que a Educação Ambiental mude comportamentos”, alega o presidente, a quem preocupa sobretudo a consequência da escassa responsabilidade individual e a falta de compromisso coletivo.

Atualmente esta associação contempla uma equipa de oito pessoas a tempo integral, três a meio tempo, cerca de 15 voluntários e 2.160 associados de diferentes áreas profissionais/académicas e outros de caráter coletivo. Tudo isto tem abrangência, através de núcleos em Braga, Lisboa, Aveiro, Viseu, Bragança e Açores (Faial e Terceira).

Carta da Terra

O responsável sublinha que a Carta da Terra declara princípios “fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa e sustentável” no século XXI. Engloba todos os países no sentido de uma “interdependência global e responsabilidade compartilhada” pelo planeta.

A UNESCO reafirmou “a importância da Carta como marco ético para sociedades comprometidas com a justiça ambiental e social”, lê-se no site oficial da ASPEA.

“É responsabilidade de todos desenvolver mecanismos de mudança nos padrões de consumo que tenham em conta os limites ecológicos do Planeta”, reitera o presidente da Associação Portuguesa de Educação Ambiental.

De acordo com Joaquim Ramos Pinto, é necessário “acelerar medidas de valorização das pessoas, de erradicação da pobreza e de combate à exclusão social”.

Assim como criar mais e maiores espaços verdes, onde se possa “privilegiar a convivência intergeracional, do aumento das vias de mobilidade suave ou de transportes públicos que respondam a todas as necessidades da comunidade”.

Desde 2005, a ASPEA é “ponto focal da Carta da Terra em Portugal, afiliada na «Earth Charter Initiative»” que organiza diversas atividades, projetos e formações de professores e educadores.

“Esta Carta pode ajudar-nos a definir caminhos em torno da gestão do planeta”. Para chegar a este propósito, o presidente da ASPEA considera ser urgente “avançar para compromissos coletivos, suportados pela responsabilidade individual, numa perspetiva de construção de sociedades ambientalmente responsáveis e socialmente justas”.

O dirigente rematou a conversa com o Mundo Atual lembrando que documentos como “a Estratégia Nacional de Educação Ambiental, o Referencial da Educação Ambiental para a Sustentabilidade e a Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania podem ser utilizados em diversos contextos (escolas e comunidade) e contribuir para responder a alguns dos desafios da Educação Ambiental”.

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