15 Agosto 2022, 21:49

Jerónimo alerta que não há “responsabilidade delegável” com maioria absoluta

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Lisboa, 15 fev 2022 (Lusa) — O secretário-geral do PCP alertou hoje que não há “responsabilidade delegável” com um governo com maioria absoluta, apontando que continuam a faltar respostas para problemas estruturais do país e admitindo que o diálogo com os socialistas “será diferente”.


“Há aqui uma responsabilidade que não é delegável que é do governo, um governo sustentado numa maioria absoluta e esta é a novidade”, declarou aos jornalistas Jerónimo de Sousa, depois de ter estado reunido com o primeiro-ministro, António Costa, que hoje recebe na residência oficial, S. Bento, Lisboa, todos os partidos com representação parlamentar, exceto o Chega.


Não querendo fazer “juízos de valor precipitados”, Jerónimo de Sousa ressalvou que “é natural a preocupação tendo em conta que o PS fica com as mãos livres para fazer o que entende em termos políticos”, esclarecendo que não se estava a referir a questões “de regime, de liberdades e democracia, obviamente”.


“É as coisas concretas que precisam de respostas concretas e que tendo em conta o passado recente não vemos essa disponibilidade para a consideração desses problemas”, sustentou.


Acompanhado pelo ex-líder parlamentar dos comunistas, João Oliveira, e pela atual líder de bancada, a deputada Paula Santos, o secretário-geral do PCP admitiu que o diálogo com o PS nesta legislatura “será diferente” mas continuará a ser feito institucionalmente.


“O diálogo tem que existir particularmente no quadro da Assembleia da República e no quadro da prestação de contas que o Governo terá de dar aos grupos parlamentares, na resposta aos anseios dos portugueses e isso cria um espaço natural. Embora com uma maioria absoluta que pode determinar tudo, mas de qualquer forma aquilo que é fundamental é encontrar respostas”, acrescentou.


Questionado sobre se este diálogo poderá incluir eventuais reuniões bilaterais, Jerónimo respondeu: “Se existir uma matéria de regime, desde as questões da regionalização ou outras, tem de existir esse diálogo. Mas em termos formais não”.



ARYL // SF


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