17 Outubro 2021, 17:56

Jerónimo diz que Costa “não dá a cara com a careta” sobre leis laborais

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Pias, Beja, 30 mai 2021 (Lusa) — O secretário-geral do PCP acusou hoje o PS de contribuir para “piorar as leis laborais” em Portugal, argumentando que António Costa “não dá a cara com a careta”, nas mais recentes declarações sobre o tema.


“Ouvimos António Costa agora, enquanto recandidato a secretário-geral do PS, dizer que a pandemia [de covid-19] deixou bem patente o grau de desregulação que existe nas relações de trabalho”, aludiu o líder comunista, Jerónimo de Sousa.


Em Pias, no concelho de Serpa (Beja), num encontro com trabalhadores, o secretário-geral comunista destacou que “é este mesmo PS” liderado por Costa “que, ainda há dois anos, se juntou ao PSD e ao CDS para alargar o período experimental por seis meses, apesar dos avisos” feitos pelo PCP.


Uma opção que levou “a que milhares de jovens fossem despedidos mal começou a epidemia”, vincou Jerónimo de Sousa, apontando outro exemplo.


É “o mesmo PS que vota contra as iniciativas” do PCP “para pôr fim à caducidade da contratação coletiva, sabendo que essa é a fonte da desregulação” nas relações de trabalho.


“O mesmo PS que, em vez de garantir vínculos efetivos aos profissionais de Saúde, [os] está a contratar para responder à ‘covid'”, mas deixando-os “numa situação inaceitável de precariedade”, exemplificou ainda.


Para o secretário-geral do PCP, com “estes anúncios”, o PS ou António Costa “não dá a cara com a careta”.


Para “piorar as leis laborais”, Portugal contou “naturalmente” com “a direita”, mas o PS não está isento de culpas, segundo Jerónimo: “Não podemos desresponsabilizar o Partido Socialista”.


“A responsabilidade histórica começou logo em 1976, com a aprovação da lei dos contratos a prazo”, o que “demonstra que estes anúncios valem por anúncio” e que o PCP vai esperar que “se concretizem”.


“Se não o fizer, cá estará o PCP para continuar a lutar pelos direitos dos trabalhadores”, afirmou o líder comunista.


No sábado, na Figueira da Foz (Coimbra), o secretário-geral do PS, António Costa, disse que o país não pode sair da crise provocada pela covid-19 com a legislação de trabalho existente quando a pandemia começou.


Numa sessão de apresentação da sua moção de orientação política ao Congresso do PS, que se realiza em 10 e 11 de julho, Costa frisou que a crise decorrente da pandemia “deixou bem patente o grau de desregulação que existe hoje nas relações de trabalho”.


No texto da moção, relativamente ao mercado de trabalho, o secretário-geral do PS promete combater a precariedade, o recurso abusivo ao trabalho temporário, o falso trabalho independente e a informalidade nas relações laborais”, promovendo-se em contrapartida a valorização dos salários dos trabalhadores jovens”.



RRL (JLS/PMF) // ACL


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