20 Setembro 2021, 06:23

Jimmy P lança «Heartbreak», um trabalho “muito rico” e uma “terapia”

Susana Faria AdministratorKeymaster

Joel Plácido, mais conhecido por Jimmy P, é um rapper português nascido no Barreiro, mas que tem a cidade do Porto no coração. Na Invicta criou raízes e afirmou-se no mundo da música. Em entrevista ao Mundo Atual, o artista, de 37 anos, conta como viveu os dois confinamentos naquele que podia ter sido “um dos melhores anos” da sua carreira. Apesar disso, aproveitou a pandemia para fazer o que melhor sabe e o novo álbum é lançado já em setembro.

Jimmy P conta já com 11 anos de carreira e quatro álbuns editados. Como é que começou o caminho no mundo da música?
Comecei a fazer música aos 16,17 anos. Cresci numa casa onde sempre se ouviu muita música e dos mais variados estilos, porque o meu pai é um colecionador e foi graças a ele que comecei a descobri-la. Na adolescência comecei a escrever, a compor as minhas melodias e a gravar coisas verdadeiramente da minha autoria.

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No início do ano passado lançou o quarto álbum, mas a sua agenda teve de ser suspensa devido à pandemia…
Infelizmente sim. Tudo indicava que poderia ter sido um dos melhores anos da minha carreira, não que não tenha sido…um artista não vive só dos espetáculos, mas representam uma parte importante daquilo que fazemos. Seria um ano cheio de concertos e muitos deles foram adiados e cancelados.

Como é geriu tudo isso? Álbum novo e sem poder dar concertos?
No fundo, acabei a fazer mais música. Estava fechado em casa, sem a possibilidade de fazer espetáculos e, pouco tempo depois do início do primeiro confinamento, lancei um projeto com a Carolina Deslandes, um EP, com o nome «Mercúrio». Teve um resultado e aceitação muito boa pelo público. Estivemos fechados em estúdio e demos música às pessoas, porque também precisavam nessa altura.

Durante os meses de confinamento, tentou arranjar alternativas, como, por exemplo, concertos online?
Não fiz concertos online porque não gosto desse formato. Acho que as pessoas merecem mais do que um artista estar a cantar em frente a uma câmara e não se perceber nada, porque o som não está nas melhores condições. Dei um concerto logo no início e não gostei do resultado. Fiz também alguns espetáculos com as devidas regras e com todas as limitações impostas e algumas «livestreams» com condições a sério.

Verão é sinónimo de festivais. Foi estranho ficar parado numa altura que costuma ser de tantos concertos?
Sim, desde que faço música não me lembro de ter um verão calmo. Nunca tiro férias no verão, porque sempre tive muitos concertos. Para nós não deixa de ser um pico de atividade, porque é a altura em que somos mais solicitados. Obviamente que todos estranhamos. As equipas e pessoas que andam connosco na estrada também sentem falta dessa azafama…do camião cheio de material. É uma nova realidade.

Os artistas têm uma equipa que depende também dos concertos. Foi difícil pagar salários e todos os custos inerentes ao trabalho?
É muito difícil. Na estrada somos 14 pessoas. Quando assistem a um espetáculo apenas conseguem ver-me, mas existem muitas pessoas por trás e todas vivem desta indústria e dependem do bem-estar e da faturação. Se as coisas não estiverem a acontecer, são muitas as famílias e indivíduos que estão privados de terem rendimentos e isso não é uma situação fácil de gerir, mas vamo-nos adaptando, que é a única coisa que podemos fazer nesta altura.

Recebeu algum apoio por parte do Estado?
Concorri a um apoio do Estado e apenas recebi 38 euros, valor esse que nem dá para dividir por todas as pessoas.

Considera que o setor da cultura foi desvalorizado durante esta pandemia?
Sim, foi. Mas é importante as pessoas fazerem um exercício de consciência e tentarem perceber o espaço que a cultura ocupa na vida delas. Quando estivemos confinados, se as pessoas não tivessem livros, séries, filmes e álbuns, teria sido muito mais difícil. Muitas vezes esquecem-se disso e as esferas do poder têm tendência a desvalorizar aquilo que fazemos.

Tem já um EP para lançar em setembro. O que pode desvendar sobre esse trabalho?
Para mim este trabalho foi uma terapia. Se o primeiro confinamento passei relativamente bem, porque vinha de uma fase de muito trabalho, e estava com esperanças de que no verão as coisas fossem voltar ao normal, o segundo foi muito mais duro e complicado para toda a gente. Voltei a fazer aquilo que tinha de fazer. Fechei-me em estudo a fazer música e foi uma forma de terapia. O «mood» todo do EP, «Heartbreak» e a estética refletem esse estado de espírito. O «Heartbreak» como o próprio nome indica não é a coisa mais feliz do mundo, mas acho que é um trabalho muito rico porque é uma oportunidade de me ouvirem em registos onde habitualmente não estou, mais despido, frágil e sensível.

Quantos temas vão fazer desse EP?
São seis temas e dois já foram lançados. O primeiro single que dá o nome ao projeto, «Heartbreak» e o tema «Volta Para Ti» com a participação do Syro.

Já tem concertos marcados para os próximos meses?
Concertos temos sempre, não sabemos é se vão acontecer. Nesta altura há duas hipóteses: ter os concertos agendados e depois serem cancelados ou adiados à última da hora ou serem marcados em cima das datas. Ultimamente, têm sido marcados à última da hora.

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