02 Julho 2022, 02:03

Jovens no sul da Índia usam lenços em protesto contra proibição de uso de véu

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Grupos de jovens no sul da Índia usaram lenços de cor de açafrão, cor característica do hinduísmo, em protesto contra a recente proibição do uso do hijab ou véu islâmico.

Segundo a agência de notícias espanhola Efe, este foi mais um episódio na recente tensão entre a maioria hindu, religião de 79,8% da população de acordo com o último censo de 2011, e os muçulmanos (14,2%), especialmente nas regiões governadas pelo partido nacionalista hindu BJP.

A Efe relata o caso do estado de Karnataka, onde um dos líderes do Partido do Congresso da oposição, Rahul Gandhi, criticou as ações desta manhã, defendendo que a proibição da vestimenta tradicional muçulmana impede a educação das raparigas jovens.

“Ao permitir que o hijab nas raparigas estudantes se meta no caminho da sua educação, estamos a roubar o futuro das filhas da Índia”, disse no Twitter o político, bisneto, neto e filho dos antigos primeiros-ministros Jawaharlal Nehru, Indira Gandhi e Rajiv Gandhi.

Em imagens divulgadas nos meios de comunicação social, centenas de jovens podem ser vistos a passear pelas ruas de Kundanpura, em Karnataka, entoando vários ‘slogans’ hindus enquanto usavam lenços cor de açafrão.

Além de protestarem contra o uso do hijab nas aulas, os jovens contestaram a recente proibição, por várias escolas do estado, do uso de quaisquer símbolos religiosos, incluindo o lenço de açafrão, nas aulas.

O ministro do Interior de Karnataka, Araga Jnanendra, considerou na sexta-feira que “as escolas são o lugar onde as crianças pertencentes a todas as religiões devem aprender em conjunto e imbuir-se da sensação de que não somos diferentes”, apontando que “Igrejas, mesquitas ou templos hindus são melhores lugares para praticar a religião, não escolas.

Araga Jnanendra culpou “organizações religiosas que pensam o contrário” pela escalada dos protestos e apelou à “polícia para as vigiar” a fim de evitar que “eles entravem ou minem a unidade deste país”.

A controvérsia remonta a 28 de dezembro, quando uma escola secundária em Karnataka proibiu várias raparigas de usarem a roupa tradicional muçulmana, argumentando que não lhes era permitido exibir símbolos religiosos nas salas de aula.

Perante as exigências das raparigas para entrarem na escola, outros estudantes apareceram com lenços de açafrão para mostrar o seu desacordo com as colegas e o seu apoio à proibição, uma controvérsia que tem vindo a crescer desde então, com cada vez mais escolas a aderirem à proibição do hijab.

A Human Rights Watch (HRW) tem denunciado persistentemente a “discriminação sistemática” através de leis e outras ações contra minorias na Índia, especialmente muçulmanas.

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