04 Novembro 2022, 15:21

Justiça alemã vai julgar cientista russo acusado de espiar programa espacial europeu

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Berlim, 03 fev 2022 (Lusa) — A justiça alemã anunciou hoje que vai julgar um cientista russo suspeito de ter sido pago por Moscovo para espiar o programa espacial europeu Ariane, caso que pode intensificar as tensões entre o Ocidente e a Rússia.


O julgamento terá início daqui a duas semanas, no dia 17, e contará com 12 audiências já agendadas, disse o Tribunal Regional de Munique, num comunicado hoje divulgado.


Ilnur N., um cientista russo que trabalhava numa universidade da Baviera, foi detido em junho passado por suspeita de atos de espionagem e de ligações a Moscovo.


O Ministério Público de Karlsruhe indiciou-o formalmente em dezembro passado, o último passo antes da abertura oficial do processo de julgamento.


A justiça alemã acusa-o de ter recolhido informações relacionadas, entre outros aspetos, com “as diferentes fases de desenvolvimento dos lançadores Ariane”, dados esses que terão sido entregues alegadamente à Rússia.


O programa Ariane explora uma série de veículos de lançamento civis europeus, em especial da Agência Espacial Europeia, mas desenvolvidos pela Airbus Defence and Space.


O anúncio deste julgamento é feito numa altura em que as relações entre o Ocidente e a Rússia estão num ponto muito tenso, com a Europa e os Estados Unidos a suspeitarem que Moscovo poderá estar a preparar uma invasão da vizinha Ucrânia e que tal decisão possa ser tomada em acordo com a China.


A justiça alemã acusa Ilnur N. de ter sido recrutado pelos serviços secretos russos, “o mais tardar, no outono de 2019”, sendo que a partir de novembro desse mesmo ano, o cientista terá tido vários contactos com um responsável dos serviços de informação russos, a quem terá transmitido “informações sobre projetos em investigação”.


Em troca, e segundo as autoridades judiciais alemãs, o cientista terá recebido um total de 2.500 euros.


O Ministério Público alemão não forneceu mais detalhes sobre a identidade do homem ou a universidade alemã para a qual ele trabalhava, mas em junho passado, o jornal Bild avançou que o cientista se chamava Ilnur Nagaev, enquanto a Universidade de Augsburg, na Baviera, confirmou que o suspeito trabalhava na instituição e que o seu gabinete tinha sido alvo de buscas.



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