23 Outubro 2021, 00:20

Justiça italiana acusa três responsáveis pelo teleférico acidentado que matou 14 pessoas

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Três pessoas foram detidas hoje de madrugada no âmbito da investigação da queda do teleférico na região de Piamonte que causou 14 mortos por saberem que um dos travões de emergência tinha sido desativado durante reparações anteriores.

Após várias horas de interrogatório foram ordenadas as detenções de Luigi Nerini, 56 anos, proprietário da empresa «Ferrovie del Mottarone» que gere o teleférico, assim como do diretor e chefe de operações, acusados de “homicídio múltiplo com dolo, desastre por negligência e eliminação de ferramentas”, noticiam hoje meios de comunicação italianos.

A procuradora da cidade de Verbania, Olimpia Bossi, que conduz as investigações, disse à saída do quartel onde se realizaram os interrogatórios que os “três detidos tinham conhecimento das falhas nos travões de segurança durante várias semanas”.

Desde as primeiras inspeções que o sistema de travagem parecia alterado porque tinha sido mudada uma peça de um dos travões de emergência o que provocava o bloqueio contínuo do teleférico, um meio de transporte de pessoas que funciona por cabos.

Por isso, no domingo passado, quando o cabo de aço da cabina acidentada se rompeu, o sistema de travagem não funcionou.

Bossi explicou que a forquilha que mantém a distância entre as placas de travagem e que deve bloquear o cabo de suporte – em caso de rotura – não tinha sido retirada para “evitar interrupções e bloqueios no teleférico”.

“O sistema apresentava anomalias e precisava de uma intervenção mais profunda o que obrigava a uma paragem prolongada da atividade do teleférico. Por isso decidiram não fazer a reparação”, disse ainda a procuradora.

Marco Gabusi, conselheiro para o setor dos transportes da região de Piamonte, norte de Itália, reconstruiu o acidente explicando que existem dois sistemas de travagem em caso de rutura do cabo e que nenhum funcionou.

A cabina onde seguiam os passageiros e que estava a uma distância de cinco metros da estação de chegada acabou por deslizar, a uma velocidade de 100 quilómetros por hora, e depois foi projetada 54 metros indo embater contra o solo onde capotou durante mais de uma dezena de metros.

O único sobrevivente do acidente é uma criança de cinco anos que perdeu os pais, um irmão e dois bisavôs.

A criança continua hospitalizada em estado considerado crítico.

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