26 Janeiro 2022, 21:07

Legislativas: Compromissos salariais devem ser para a próxima legislatura e não “para as calendas” – BE

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

A coordenadora do BE defendeu hoje que são necessários “compromissos concretos” para a próxima legislatura “e não para as calendas”, em referência à proposta do PS de aumento do salário mínimo para os 900 euros em 2026.

Falando aos jornalistas no Hotel Mundial, em Lisboa, pouco depois de ter participado numa sessão organizada pelo Bloco de Esquerda (BE) sobre a nova lei do teletrabalho, Catarina Martins reagiu às linhas gerais do programa eleitoral do PS — divulgado na segunda-feira — considerando que “ainda bem que fala de trabalho”, mas defendendo a necessidade de “compromissos muito concretos”.

“Não tem muito sentido, por exemplo, dizer que o salário mínimo nacional há de ser 900 euros, não nesta legislatura que vai começar, mas numa outra próxima, seguinte, em 2026. Ora, nós agora estamos em eleições para uma legislatura que é agora e precisamos de compromissos já sobre o salário mínimo nacional”, sustentou.

Segundo a líder bloquista, “há um problema claro com os salários em Portugal”, que já “ninguém pode negar”, e que “mesmo o PS, que recusou medidas que permitissem subir o salário mínimo de uma forma mais determinada, ou o salário médio”, apresentou agora “um programa ao país dizendo da sua intenção de aumentar os salários”.

“Mas, como também já percebemos, também em Portugal há um oceano entre as intenções que são anunciadas e a concretização para que o salário chegue mesmo a quem trabalha”, afirmou.

A líder bloquista frisou assim que o seu partido tem defendido o aumento do “salário mínimo nacional a 10% ao ano para que, no fim da legislatura que vai começar depois das eleições, se chegue pelo menos ao salário mínimo nacional que já é hoje praticado em Espanha”.

Catarina Martins realçou ainda que é também necessário que o “salário médio suba, porque o salário médio não pode ser igual ao salário mínimo como tem sido”, defendendo ainda que “os salários médios não sobem por decreto, e por isso é mesmo preciso mexer na legislação laboral”.

Reiterando assim que “é preciso que os compromissos sejam concretos para a próxima legislatura e não para as calendas”, a coordenadora apelou ao “reforço do BE como terceira força política para vencer uma maioria absoluta do PS e defender quem vive do seu trabalho”.

“[É] porque precisamos de medidas concretas e já, para valorizar quem trabalha em Portugal e os salários, que é tão importante o reforço do BE, para que haja um novo ciclo em Portugal em que os salários não voltem a ficar para trás, porque sabemos que os anúncios não pagam contas”, salientou.

O programa eleitoral do PS, cujas linhas gerais foram apresentadas na segunda-feira, prevê a celebração de um acordo de concertação social para elevar até aos 900 euros o salário mínimo nacional em 2026, medida acompanhada de um novo quadro fiscal para as empresas.

No documento do PS, lê-se que um Governo socialista “promoverá as negociações necessárias em sede de concertação social para um Acordo de médio prazo (2022/2026) de melhoria dos rendimentos, dos salários e da competitividade”.

Um acordo onde conste “a trajetória plurianual de atualização real do salário mínimo nacional, de forma faseada, previsível e sustentada, evoluindo em cada ano em função da dinâmica do emprego e do crescimento económico, com o objetivo de atingir pelo menos os 900 euros em 2026”.

 

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