08 Outubro 2022, 19:51

Libertação de dióxido de carbono aumenta exponencialmente em anos de grandes incêndios florestais

Filipa Júlio Administrator

Os incêndios rurais e florestais que têm assolado o nosso País (e a Europa) constituem um grave ataque à vida na Terra. Para além dos impactos mais diretos e visíveis no imediato, como o risco de morte de civis e operacionais de socorro e as perdas em termos económicos, o rasto de destruição prolonga-se para lá do período ativo do fogo.

Os grandes incêndios que, mais uma vez destruíram uma vasta área de floresta em Portugal, associados à situação de seca meteorológica e hídrica, provocaram uma dramática perda de biodiversidade, e degradação dos ecossistemas.

Quando as tão desejadas chuvas caem, nos terrenos desnudados, arrastam encosta abaixo muitos nutrientes, contribuindo para o empobrecimento do solo e contaminação das linhas de água.

Para além disso, as largas colunas de fumo (como as da imagem, referentes ao incêndio que lavrou em Vila Real) originam a libertação de gases com efeito estufa e reduzem a capacidade de absorção e armazenamento de CO2.

Se observarmos o quadro evolutivo (na imagem) das emissões nacionais de gases com efeitos estufa, (divulgado pela Agência Portuguesa do Ambiente, em março/abril de 2021), verificamos que os anos dos grandes incêndios (2003, 2005 e 2017) correspondem a picos de emissões.

Nos incêndios de 2017, por exemplo, registou-se a libertação de 10,2 milhões de toneladas de dióxido de carbono, correspondente a 12 % da soma dos valores de todos os sectores que contribuem para este fenómeno.

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A devastação das florestas, seja pelos fogos, seja por falta de conservação da sua biodiversidade, constitui, assim, um lato problema: enquanto ardem, deixam de ser os principais sumidouros de carbono e passam antes a contribuir para emissão de gases.

Nos incêndios de 2017, por exemplo, registou-se a libertação de 10,2 milhões de toneladas de dióxido de carbono, correspondente a 12 % da soma dos valores de todos os sectores que contribuem para este fenómeno.

Como exemplo dramático recente, temos os cinco incêndios rurais que, entre julho e 20 de agosto, consumiram 28.112 hectares de floresta na região da Beira Alta, dos quais 22.065 do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE).

Os dados, divulgados pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), refere que a área ardida, até agora, corresponde a 25% da área total de um dos maiores pulmões verdes de Portugal.

Águia-real e Águia-de-Bonelli foram das aves mais afetadas

Arderam mais de nove mil hectares de matas de pinheiro-bravo e 2.633 hectares de carvalhos, 15.167 hectares de floresta, matos e pastagens espontâneas (35%) e área agrícola (2.801 hectares).

Entre “as espécies da flora vascular que mais sofreram”, o ICNF sublinha “as populações de Centaurea langei subsp. Rothmalerana, Armeria sampaioi, laborinho (Festuca elegans), Jurinea humilis, mostajeiro (Sorbus aria eSorbus latifolia), todas com estatuto corológico, de conservação e proteção legal”.

Répteis como a víbora cornuda, o sardão, ou grilos e escaravelhos apenas existentes na Serra da Estrela, fuinhas e ginetas foram também afetados, sendo que no caso das aves, as mais prejudicadas foram a Cegonha-negra (Ciconia nigra), águia-de-Bonelli (Aquila fasciata), águia-real (Aquila chrysaetos), tartaranhão-caçador (Circus pypargus), águia-cobreira (Circaetus gallicus), falcão-peregrino (Falco peregrinus), melro-das-rochas (Monticola saxatilis) e petinha-dos campos (Anthus campestris).

Entre os mamíferos foram sobretudo atingidos, na sequência destes incêndios, a toupeira-de-água (Galemys pyrenaicus), o gato-bravo (Felis silvestris) e comunidades de várias espécies de quirópteros.

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