08 Dezembro 2022, 03:48

Líder do Sinn Fein lamenta assassinato de Lorde Mountbatten há 41 anos pelo IRA

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Londres, 18 abr 2021 (Lusa) – A presidente do Sinn Fein, Mary Lou McDonald, afirmou hoje “lamentar” o assassinato de Lorde Mountbatten, tio do príncipe Filipe, perpetrado pelo Exército Republicano Irlandês (IRA) há 41 anos.


Esta é uma posição sem precedentes assumida por um líder partidário, braço político de um grupo paramilitar.


Louis Mountbatten, o último vice-rei da Índia, foi morto a 27 de agosto de 1979, aos 79 anos, pela explosão de uma bomba colocada pelo IRA no seu barco de pesca em Mullaghmore, no norte da Irlanda.


O ataque foi realizado durante o conflito entre republicanos e unionistas, que defendiam a manutenção da Irlanda do Norte sob a coroa inglesa.


Lorde Mountbatten era tio do marido da rainha Isabel II, o recentemente falecido príncipe Filipe, e foi o mentor de Carlos, Príncipe de Gales e herdeiro do trono.


“É claro que sinto muito pelo que aconteceu. Claro que é de partir o coração”, disse Mary Lou McDonald, entrevistada na Times Radio, após o funeral, no sábado passado, do príncipe, que morreu a 09 de abril aos 99 anos, em Windsor.


O seu antecessor, Gerry Adams, que liderou o Sinn Fein até 2018, sempre se recusou a seguir essa via.


“O meu trabalho, e tenho a certeza de que o do príncipe Carlos e de outros, é liderar desde a linha da frente”, disse Mary Lou McDonald, acrescentando: “Acredito que é responsabilidade de todos nós garantir que, para que nenhuma criança, ou família, seja quem for, se depare com esse tipo de trauma e desgosto”.


“Era muito comum, deixe-me frisar, de todos os lados desta ilha e fora dela”, acrescentou.


Mary Lou McDonald expressou o seu absoluto “compromisso” e “responsabilidade” de que nenhuma família tenha que enfrentar “novamente esta situação”, manifestando-se “muito feliz” em fazer estas declarações “no fim de semana em que a rainha enterra o seu amado marido”.


Em 2002, o IRA apresentou um pedido de desculpas pelas baixas civis, que não incluíam o Lorde Mounbatten.


O príncipe Carlos esteve com Gerry Adams em 2015, em Galway, no noroeste da Irlanda, um encontro que se tornou um símbolo no processo de paz pós-conflito que até ao Acordo de Sexta-feira Santa, em 1998, provocou 3.500 mortos, em três décadas.


Entre a insatisfação dos unionistas e as consequências do ‘Brexit’, a Irlanda do Norte tem sido abalada por dezenas de conflitos noturnos desde o início deste mês, antes de um período de calma devido ao luto após a morte do príncipe Filipe.



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