25 Outubro 2021, 15:52

Lucros da empresa cabo-verdiana que gere portos caíram quase 65% em 2020

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Praia, 16 set 2021 (Lusa) – Os lucros da empresa estatal Enapor, concessionária dos portos de Cabo Verde, caíram quase 65% em 2020, devido à quebra da atividade portuária provocada pela pandemia de covid-19, para 1,4 milhão de euros.


De acordo com o relatório e contas da empresa, a que a Lusa teve hoje acesso, estes resultados refletem uma quebra de 13,2% no volume de negócios de 2020, para 2.768 milhões de escudos, nomeadamente com as descidas de 18,5% na carga total movimentada (2.173 mil toneladas) e de 18,2% no movimento de navios (6.431 escalas), mas também ao nível do movimento de passageiros, que caiu 29,2%, para 758.489.


Em 2019, os portos de Cabo Verde tinham registado um recorde de 1.070.096 passageiros movimentados.


Este desempenho, influenciado igualmente pelas limitações ao transporte marítimo de passageiros implementadas em 2020 para conter a transmissão da pandemia de covid-19 e pelo arrefecimento económico decorrente da ausência de turismo, travaram, segundo o relatório e contas, a “dinâmica de crescimento e de consolidação económica e financeira que a empresa vinha patenteando nos últimos três anos”.


Com 966 trabalhadores, a Enapor, que opera os nove portos do arquipélago, fechou as contas de 2020 com um resultado líquido de 158 milhões de escudos (1,4 milhão de euros), 64,3% abaixo do registado em 2019, de quase 443 milhões de escudos (quatro milhões de euros).


“Não obstante 2020 se ter caracterizado como um ano difícil e com um quadro macroeconómico desfavorável, o setor portuário nacional mostrou grande capacidade de resiliência, tendo a Enapor SA procurado, desde o primeiro momento, e de acordo com as orientações das autoridades, conciliar a contenção da pandemia de covid-19 com a necessidade de continuar a garantir, com segurança, a operacionalidade dos portos”, afirma o presidente do conselho de administração, Alcídio Nascimento Lopes, na mensagem que consta no documento.


Acrescenta que a quebra de receitas, “verificada devido à redução da atividade portuária, aliada à necessidade de apoiar muitos” dos clientes da empresa, “no sentido de salvaguardar a própria continuidade do negócio, pesou sobre a Enapor, fazendo diminuir a sua capacidade de gerar fluxos de tesouraria ao ritmo dos anos anteriores”.


“Contudo, é possível afirmar que a atuação e a colaboração da Enapor, e também de outros parceiros, permitiram ultrapassar a fase crítica de 2020, assegurando a capacidade para a retoma que se aguarda para este ano”, acrescenta o administrador.


A empresa refere que durante o ano de 2020 realizou um investimento de 354 milhões de escudos (3,2 milhões de euros) nos portos do arquipélago, com empreitadas e modernização tecnológica.


Sobre os lucros de 2020, “considerando os compromissos de financiamento de algumas obras estruturantes para o país e ciente da necessidade de ser consolidada a estrutura financeira da empresa”, o conselho de administração da Enapor propôs não distribuir dividendos e aplicar 5% desses resultados líquidos em reservas legais.


Os restantes 95%, equivalente a cerca de 150 milhões de escudos (1,3 milhão de euros), serão aplicados na reserva para reforço do parque de equipamentos portuários e comparticipação no financiamento das obras de expansão do Porto Inglês, na ilha do Maio.



PVJ // JH


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