28 Outubro 2021, 00:47

Lutar contra a pobreza para criar um mundo justo

Susana Faria AdministratorKeymaster

O combate à pobreza e à exclusão social são os grandes objetivos da «Ajuda em Ação», uma associação que está presente há mais de 40 anos em vários países do Mundo, entre os quais Portugal. Em entrevista ao Mundo Atual, Mário Santos, diretor de programas desta Organização Não Governamental (ONG) revela os programas que desenvolvem no nosso País e de que forma uniram esforços para ajudar os mais desfavorecidos.

A Organização Não Governamental «Ajuda em Ação» surgiu há mais de 40 anos e esteve sempre muito centrada em 20 países entre a América do Sul e a África.
“Há uns anos começámos a desenvolver atividade em Espanha e Portugal, com programas sempre dirigidos ao combate à pobreza e à exclusão social. São os nossos grandes objetivos”, começou por revelar, ao Mundo Atual, Mário Santos.
A «Ajuda em Ação» tem vários projetos educativos e de empoderamento feminino, em Portugal, desenvolvidos desde 2020 em Camarate (Loures), uma freguesia com elevada taxa de pobreza e exclusão social, onde trabalham em conjunto com parceiros locais.

PUB – CONTINUE A LER A SEGUIR



“Começámos a nossa atividade em Portugal há relativamente pouco tempo. Temos uma grande experiência internacional, mas no País ainda é tudo muito recente. Tínhamos uma estratégia criada para o panorama nacional, mas foi condicionada muito pelo contexto pandémico e tivemos de reprogramar toda a nossa atividade para dar uma resposta nos locais onde estamos envolvidos”, explicou o diretor de programas.

«Bora Jovens» ajuda na colocação no mercado de trabalho

A «Ajuda em Ação» implementou um projeto social denominado de «Bora Jovens» que tem como grande objetivo a promoção da empregabilidade e, de acordo com Mário Santos, “vem na sequência das linhas de trabalho” da organização.
“Este programa de empregabilidade jovem vem responder ao panorama nacional, em que existia uma percentagem significativa da população jovem em situação de desemprego antes do confinamento, sendo que este problema se agravou agora com a pandemia”, acrescenta.

O «Bora Jovens» é dirigido a pessoas entre os 17 aos 23 anos e consiste num programa formativo e de desenvolvimento pessoal que funciona em 20 sessões divididas em duas partes: uma dedicada ao conhecimento de ferramentas para a empregabilidade e outra, exclusivamente, a cada um dos participantes “para uma aposta muito grande no seu desenvolvimento pessoal”.
“No final destas 20 sessões, constituímo-nos como mediadores para a integração no mercado de trabalho junto de empresas que se têm vindo a associar a este programa. Vamos selecionando currículos e divulgando junto das empresas que necessitem de um determinado perfil de trabalhador. Queremos que sejam integrados numa empresa e tenham um contrato como um trabalhador tradicional.”, esclareceu.
O projeto, que tem a duração de seis meses, está implementado nos concelhos de Lisboa, Loures, Setúbal e Porto e conta já com 88 participantes.

Equidade educativa é uma das grandes linhas de ação

Combater a exclusão social e contribuir para a equidade educativa são duas das principais linhas que orientam a «Ajuda em Ação» que, também na freguesia de Camarate, criou um plano de atividades com o Agrupamento de Escolas de Camarate destinado a 850 crianças e jovens do 2º e 3º ciclos.
“O nosso plano era realizarmos um trabalho contra a exclusão com a equidade educativa, mas com outros participantes, que eram as famílias. Criámos projetos nas escolas e uma resposta para os encarregados de educação, neste caso, muito ligada à igualdade de género. As atividades das escolas foram, inclusive, reprogramadas devido aos orçamentos por causa da resposta na ajuda à emergência social”, expôs Mário Santos.

A pandemia fez com a «Ajuda em Ação» ativasse uma resposta de emergência social de apoio às famílias mais afetadas e em dificuldades, através da distribuição de alimentos e bens essenciais.
“A nossa resposta à emergência social foi organizada durante estes dois anos, onde conseguimos distribuir alimentos às famílias que estão sinalizadas e a necessitar de apoio urgente. Não só famílias que poderiam estar a viver do «Rendimento social de inserção», mas também pessoas que tinham a sua vida a decorrer com normalidade e que o contexto pandémico lhes trouxe a perda imediata de emprego e a entrada direta no registo de pobreza”, contou.

Famílias recebem cartões para compra de alimentos

A ONG optou por distribuir cartões que permitam às famílias usá-los para terem acesso aos alimentos nos supermercados. O apoio consiste na entrega de cartões de compra de alimentos, “num processo de sinalização e monitorização rigoroso”, realizado em parceria com o Agrupamento de Escolas de Camarate e a Junta de Freguesia local.
“Com estes cartões, mantemos a possibilidade de estas pessoas terem uma vida mais próxima à que tinham antes. Podem ir às compras com liberdade e responsabilidade”, sublinhou o diretor de programas.
Através desta resposta, já foram entregues 219 cartões de compra de alimentos, sendo que a «Ajuda em Ação» ajudou 123 famílias, 249 crianças, num total de 443 beneficiários.

Mário Santos lembrou que entre os vastos projetos que possuem, a grande missão desta organização é “estar nas zonas mais diagnosticadas como pobres”.
“Temos desenhada a nossa estratégia fronteiriça, de forma a criar sinergias entre cidades portuguesas, dentro da fronteira, como Elvas e Caminha e também com Espanha, na criação de oportunidades com os nossos programas de empregabilidade e equidade educativa. Sabemos que há um grande número de pessoas que circulam nessas zonas”, frisou.

«Fairplay4life»

Entre Portugal e Espanha está também a decorrer a iniciativa de alimentação saudável,«Fairplay4life», patrocinada pela UEFA Foundation for Children, com vista à promoção de comportamento saudável e da atividade desportiva.
O «Fairplay4life» permite às crianças aumentar o seu desempenho físico e intelectual, alcançar e manter um peso saudável, promover hábitos de consumo sustentáveis e reduzir o desperdício alimentar. Para isso, estão a ser desenvolvidos workshops presenciais e virtuais em seis escolas, entre Portugal e Espanha. O projeto termina em dezembro.

Sem comentários

deixar um comentário