25 Janeiro 2022, 11:37

Mais de 600 mil pessoas subscrevem petição contra condecoração a Tony Blair

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Londres, 04 dez 2022 (Lusa) – Mais de 600.000 pessoas assinaram até hoje uma petição para que uma condecoração atribuída pela Rainha Isabel II ao antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair seja retirada devido à sua intervenção na invasão do Iraque em 2003.


A Rainha agraciou Blair, que foi primeiro-ministro entre 1997 e 2007, com o título de ‘Sir’ e o grau de Cavaleiro (‘Knight Companion’) da Ordem de Garter, a mais antiga e mais elevada ordem honorífica de britânica, na lista anual de condecorações por ocasião do Ano Novo.


O promotor da petição, Angus Scott, argumenta que Blair é a pessoa “menos merecedora de uma homenagem pública, particularmente aquela concedida por Sua Majestade a Rainha”, devido “aos danos irreparáveis que causou à Constituição do Reino Unido e às fundações da sociedade”.


Scott acusa o antigo líder do Partido Trabalhista de ter sido “pessoalmente responsável pela morte de inúmeras vítimas civis e militares inocentes em diversos conflitos” e, portanto, deve ser processado por “crimes de guerra”.


A petição no portal Change.org, pede ao atual primeiro-ministro britânico, o Conservador Boris Johnson, que interceda junto de Isabel II para retirar o título.


No entanto, a secretária de Estado responsável pela vacinação contra a covid-19, Maggie Throup, defendeu hoje que Blair “fez muitas coisas boas” durante o seu mandato, enquanto o atual líder Trabalhista, Keir Starmer, defendeu que Blair “ganhou” o reconhecimento.


A distinção foi atribuída a todos os antecessores, mas demorou 14 anos a ser concedida a Blair. 


Ao contrário de outras condecorações, esta é feita diretamente pela rainha, e não por recomendação do Governo. 


Na mesma lista de Blair, o Palácio de Buckingham anunciou três nomeações para a ordem criada em 1348, sendo as outras duas a da esposa do príncipe Carlos, Camilla, e a da antiga líder da Câmara dos Lordes, Valerie Amos, a primeira pessoa negra a ser reconhecida.


De acordo com o Palácio, a Ordem passa assim a ter 21 Cavaleiros “companheiros” de um máximo de 24.


Paralelamente, o Governo divulgou a lista de outras pessoas também condecoradas por contribuições nas áreas desportivas, científicas ou culturais, como a tenista Emma Raducanu, o ator Daniel Craig e vários cientistas britânicos envolvidos no combate à pandemia de covid-19.



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