25 Outubro 2021, 15:37

Mais de três milhões de pessoas em risco na Síria por falta de acesso a água

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Beirute, 28 set 2021 (Lusa) — Mais de três milhões de pessoas estão a correr risco de saúde devido à falta de acesso a água potável no norte da Síria, que atingiu um “ponto de rutura”, alertaram hoje os Médicos Sem Fronteiras (MSF).


A organização não-governamental (ONG) atribuiu essa situação “desesperadora” a “uma década de guerra que deixou as infraestruturas de água e saneamento destruídas e negligenciadas”.


“Nos campos, encontramos doenças que se espalham na água, como diarreia, hepatite, impetigo [um tipo de infeção na pele] e sarna”, lamentou Ibrahim Mughlaj, dos MSF.


A queda substancial neste ano do financiamento para operações de saneamento e distribuição de água – para menos de um terço dos fundos alocados no ano passado – forçou as organizações de ajuda a interromper a entrega de água em camiões para os campos de deslocados.


Em julho, os MSF observaram um aumento nos casos de diarreia em mais de 30 acampamentos em Idlib, bem como casos frequentes de sarna.


Parte da província de Idlib e os seus arredores, o último bastião hostil a Damasco, é o lar de mais de três milhões de pessoas – a maioria delas deslocadas pela guerra – que vivem na miséria.


“Desde o início do ano, 28% de todas as consultas (…) foram casos de diarreia aquosa aguda”, indicou a ONG.


Esta crise também torna o combate à covid-19 ainda mais difícil quando a região vive um surto “alarmante” de casos de contaminação, lamentou a ONG.


A situação também é terrível no nordeste da Síria, dominado pelos curdos, devido aos “distúrbios repetidos e sustentados” na estação [de água] de Alouk, controlada pela Turquia, e à diminuição – com a seca – dos níveis de água do Eufrates, o principal rio da Síria, de acordo com os MSF.


Em Hassaké, mais de um milhão de pessoas tiveram acesso limitado à água durante quase dois anos, enquanto em Raqqa, os casos de diarreia aumentaram 50% no final de maio de 2021, ao longo de um ano, refere a organização.


“A falta de fundos só piora com o tempo, a distribuição de água é, às vezes, politizada e os MSF e outras organizações não conseguem preencher todas as lacunas”, alertou Benjamin Mutiso, coordenador no terreno dos MSF.



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