14 Maio 2022, 11:31

Manifestantes exigem no Sudão justiça para vítimas de massacre de 2019

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Redação, 01 mai 2022 (Lusa) — Centenas de manifestantes saíram às ruas no sábado em Cartum, capital do Sudão, e em diferentes partes do país, para exigir justiça para as vítimas do massacre de 3 de junho de 2019.


Segundo a agência estatal de notícias sudanesa SUNA, o protesto aconteceu em resposta a apelos dos comités de resistência, que têm liderado uma série de manifestações, há quase seis meses, contra o chefe militar do Sudão, o tenente-general Abdel-fattah al-Burhan.


Os manifestantes reuniram-se de manhã nas principais ruas e praças do país, carregando fotografias das vítimas do massacre de 2019, assim como slogans denunciando a demora na justiça, avançou a televisão britânica Sky News.


Segundo testemunhas, a polícia dispersou a multidão com gás lacrimogéneo na cidade de Omdurman, no centro do país, enquanto os manifestantes também tomaram as ruas na área de Al Kalalat, a sul de Cartum, e em Bahri, a norte da capital, referiu o jornal Sudan Ajbar.


Em 3 de junho de 2019, as forças do Conselho Militar de Transição usaram armas de fogo e gás lacrimogéneo para dispersar um protesto em Cartum, matando mais de cem pessoas.


Na quinta-feira, a organização Human Rights Watch (HRW) acusou as forças de segurança sudanesas de “maltratar” manifestantes com detenções, despindo as crianças detidas e ameaçando as mulheres com violência sexual, como “repressão” contra a oposição ao golpe militar de outubro.


Em 25 de outubro, al-Burhan, liderou um golpe militar contra o Governo de transição do Sudão e declarou o estado de emergência.


A 26 de dezembro, emitiu uma ordem de emergência concedendo imunidade às forças de segurança e devolveu poderes de prisão ao Serviço Geral de Informações, que tem um historial de abusos graves, disse a HRW.


No início de janeiro, o primeiro-ministro Abdullah Hamdok, que tinha voltado ao cargo em novembro após um acordo assinado perante pressão internacional, renunciou em protesto contra a repressão das manifestações, levando al-Burhan a anunciar um governo interino.


O chefe militar salientou em fevereiro que só entregaria o poder a um governo eleito ou a uma autoridade resultante de um “consenso nacional”.



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