07 Julho 2022, 05:35

Médicos angolanos em greve há uma semana sem acordo à vista

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Luanda, 14 dez 2021 (Lusa) — A greve de médicos angolanos já dura uma semana, sem que as partes cheguem a acordo, disse hoje o secretário-geral do Sindicato Nacional dos Médicos de Angola (Sinmea), Pedro da Rosa.


Em declarações à agência Lusa, o sindicalista disse que a greve continua e continuam à espera que o Governo volte a convocá-los para se sentarem à mesa de negociações.


“Até ao momento não há nada e a nossa greve continua e amanhã (quarta-feira) nós vamos realizar uma vigília em protesto ao enquadramento de novos médicos em violação à lei da greve que proíbe tal atitude, e a greve continua até as negociações reatarem e cheguemos a acordo”, frisou.


Segundo Pedro da Rosa, depois da última assembleia dos médicos não se realizou novo encontro entre as partes, realçando que, na segunda-feira, o presidente do Sinmea, Adriano Manuel, esteve no Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social na tentativa de o ministério advogar a sua posição, que é um dos pontos do caderno reivindicativo.


O caderno reivindicativo, submetido à entidade patronal em setembro passado, apresenta como primeiro ponto a recolocação imediata de Adriano Manuel, indemnização pelos danos causados pela sua transferência para os recursos humanos do Ministério da Saúde e a nulidade do processo disciplinar contra si.


Em causa está um processo disciplinar movido contra Adriano Manuel, médico pediatra, por denunciar à imprensa a morte de 19 crianças de um total de 24 no banco de urgência do Hospital Pediátrico David Bernardino, tendo como consequência sido transferido para o departamento dos Recursos Humanos do Ministério da Saúde, justificado com a necessidade de mobilidade de quadros.


Sobre o apelo da ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, para que voltem aos postos de trabalho, solicitando um prazo de 90 dias para que o executivo responda às reivindicações financeiras dos médicos, Pedro da Rosa disse que “isso não é assim que se faz”.


 “O ministério tem uma sede e deve usar os seus ofícios, quer dizer, notificar o sindicato e o sindicato corresponder e nós voltarmos à negociação, isso é que deve ser feito. Agora, ir para as redes sociais ou para a comunicação social e fazer esse apelo, não resolve”, afirmou.


Instado a comentar a associação que se tem feito desta reivindicação dos médicos com questões políticas, o secretário-geral do Sinmea desvalorizou o facto, afirmando que “esta política já é antiga”.


“O nosso partido é mesmo a saúde, é o sistema nacional de saúde, o nosso foco é o nosso paciente e só por isso mesmo. Isso é uma tentativa só para dividir, para melhor reinar, aliás isso não é um posicionamento de agora, desde que o sindicato foi criado em 2018 que se faz isso”, disse.


“Já pensaram que eramos da CASA-CE [segunda maior força da oposição angolana), hoje a CASA-CE está quase sem expressão, agora vem a UNITA [maior partido da oposição], porque está na mó de cima, é só para dividir para melhor reinar”, acrescentou.


Pedro da Rosa disse que, apesar da greve, os serviços exigidos por lei continuam a ser prestados, com o atendimento dos doentes críticos, os bancos de urgência, as hemodiálises e os cuidados intensivos.


“O resto sempre que necessário a gente dá um atendimento, mas não há situações críticas, da visita que nós fizemos aos hospitais, os bancos até estão calmos”, salientou.


A ministra da Saúde, em declarações hoje divulgadas pela rádio pública angolana, disse estar aberta ao diálogo, apelando à calma e que voltem para os seus lugares.


“Que não se sintam melindrados nem pelos militares nem pelos nossos colegas que estão sendo contratados, nós precisamos de reforçar os nossos serviços”, referiu Sílvia Lutucuta.


A governante afirmou que o executivo está a trabalhar para a melhoria de condições e o prazo de 90 dias serve “para ver as questões financeiras”.


Além da questão da recolocação do presidente do sindicato e os aumentos salariais, os médicos exigem também melhoria das condições de trabalho nas unidades sanitárias de nível primário, secundário e terciário, entre outras questões.



NME // VM


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