10 Outubro 2022, 22:11

Mercado imobiliário terá recuperação heterogénea em 2021 — Consultora

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Lisboa, 04 jan 2021 (Lusa) – O investimento em imobiliário comercial em Portugal terá atingido os 2,8 mil milhões de euros em 2020, uma quebra homóloga de 14%, segundo a consultora imobiliária Cushman & Wakefield, que espera uma recuperação heterogénea do mercado em 2021.


O volume de investimento estrangeiro correspondeu a 75% daquele valor global — com os alemães e os ingleses a representarem, respetivamente, 555 milhões e 516 milhões de euros -, ainda que o montante de capital nacional tenha aumentado 40% face ao valor investido em 2019, para os 720 milhões de euros.


Numa apresentação aos jornalistas em que foi feito o balanço do mercado imobiliário em Portugal em 2020, Eric van Leuven, responsável da Cushman & Wakefield em Portugal, adiantou que para 2021 as perspetivas “são moderadamente otimistas” e, ainda que dependente da eficácia da vacinação e do controlo da pandemia, espera-se uma evolução distinta dos diferentes setores imobiliários.


Neste contexto, um dos setores que deverá contribuir para a dinamização do mercado será o segmento residencial para arrendamento, defende.


“Uma das grandes estrelas do próximo ano será o residencial para arrendamento”, referiu Paulo Sarmento, da equipa de Investimento da consultora, referindo os projetos de investimento desenhados de raiz para arrendamento, alguns dos quais chegarão ao mercado em 2021.


No que diz respeito ao mercado de investimento institucional, as perspetivas da consultora apontam para que os elevados níveis de liquidez devam contribuir para uma recuperação da atividade no início deste ano.


“Desta forma, embora o volume de negócios com elevada probabilidade de concretização durante este ano se encontre apenas nos 1.800 milhões de euros, aos mesmos poderão acrescer transações ‘off market’ e negócios atualmente suspensos, num total de 1.800 milhões de euros, mas com possibilidade de conclusão até 2022”, refere a consultora.


Sobre os resultados de 2020, os 2,8 mil milhões de euros de investimento traduzem o terceiro máximo histórico do mercado português, com o retalho a responder 40% daquele valor, os escritórios a 35% e a hotelaria, um dos setores mais afetados pela pandemia, a 18%.


O ano de 2020 assistiu à abertura de 47 novos hotéis, num total de 2.700 quartos, mas relativamente à oferta futura de 190 novos hotéis, Paulo Sarmento admite que alguns destes projetos poderão não se concretizar até 2023.


“Face ao atual enquadramento e, apesar dos diversos projetos que já haviam iniciado e mantiveram a sua construção, a oferta futura, atualmente estimada em 190 novos projetos e 15.800 quartos até 2023, enfrenta agora uma elevada probabilidade de revisão em baixa”, refere a consultora.


Ainda no que diz respeito ao ano de 2020, o investimento em promoção e reabilitação urbana atingiu 450 milhões de euros, recuando 60% face aos valores observados em 2019, refletindo os efeitos da pandemia, mas também da instabilidade fiscal e legal.


A necessidade de estabilidade legal e fiscal é de resto uma das vertentes apontadas por Eric van Leuven, ao acentuar que “se é certo que estes têm sido tempos sem precedentes, e em que o apoio rápido às empresas teve um papel determinante na sua manutenção, a aprovação em Assembleia da República de diversas medidas extraordinárias, algumas das quais inequitativas, veio criar desequilíbrios que impera agora que comecem a ser colmatados.”


Questionado sobre a recente aprovação em Conselho de Ministros do decreto-lei que acaba com ‘vistos gold’ nas regiões do litoral e áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, que entrará em vigor em julho de 2021, com um período transitório, Eric van Leuden referiu que ainda que os ‘vistos gold’ sejam “uma ínfima parte do mercado imobiliário”, acabar com o regime numa altura em que o país precisa de capital estrangeiro, poderá não ser sensato.


No âmbito dos mercados ocupacionais, o balanço de 2020 revelou evoluções diferentes ao nível das duas principais cidades do país, com a Grande Lisboa a registar uma quebra homóloga de 30% e o Grande Porto a observar um aumento de 36% face a 2019.


Já os setores do retalho e hotelaria, mais negativamente afetados pelas restrições impostas pela pandemia de covid-19, registaram quebra de 60% na abertura de novas lojas.


Inversamente, a ocupação de espaços nos setores industrial e de logística tiveram aumentos de 67% no volume de ocupação.


Para 2021, a Cushman & Wakefield estima que, de uma forma geral, se mantenha uma atitude cautelosa no mercado ocupacional ao longo do primeiro semestre “com tendência de adiamento dos processos de tomada de decisão, potencialmente seguido de um segundo semestre com um efetivo início de retoma da atividade”.


“A procura de espaços de qualidade nos setores industrial e logística continuará dinâmica, por oposição aos setores mais afetados pelas medidas restritivas em vigor, nomeadamente retalho e hotelaria. Adicionalmente, a flexibilidade do trabalho continuará a gerar uma reavaliação da forma de ocupação de escritórios pelas empresas”, acrescenta a consultora imobiliária.



LT // JNM


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