05 Dezembro 2022, 20:41

Migrações: Refugiada iraniana apresenta queixa na ONU contra maus-tratos do Estado grego

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Atenas, 02 fev 2022 (Lusa) — Uma refugiada iraniana apresentou queixa a um órgão da ONU contra a Grécia, alegando ter sido torturada e espancada, além de repelida várias vezes na fronteira com a Turquia, anunciou hoje uma organização humanitária.


Parvin A., que mora atualmente na Alemanha, disse, numa conferência de imprensa hoje realizada ‘online’, ter sido “algemada, espancada, gaseada, torturada e quase morta” durante seis deportações da Grécia para a Turquia, entre fevereiro e junho de 2020.


A organização alemã ECCHR (Centro Europeu para os Direitos Constitucionais e Humanos) apresentou uma queixa em nome da refugiada ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, avançou a consultora jurídica da ECCHR, Hanaa Hakiki, na mesma conferência.


A queixa visa o Estado grego por detenção arbitrária em “condições desumanas”, abuso e expulsão sumária, explicou Hakiki.


A organização, com sede em Berlim, adiantou que a jovem refugiada conseguiu gravar imagens raras com um telemóvel momentos antes de três das suas deportações, na fronteira terrestre greco-turca.


“Nunca tínhamos visto imagens como estas dentro de um posto de fronteira”, admitiu Stefanos Levidis, investigador do site de Arquitetura Forense, uma agência de investigação que trabalha em nome de Organizações Não Governamentais (ONG).


A jovem iraniana disse que foi sucessivamente detida em celas sujas de um posto da guarda fronteiriça, assim como num contentor, e garantiu ter também testemunhado atos de violência contra outros migrantes, incluindo crianças e uma mulher grávida.


Segundo a jovem, os guardas de fronteira destruíram os telemóveis dos migrantes e apreenderam os seus alimentos e roupas, juntamente com representantes de quatro organizações humanitárias, incluindo a Amnistia Internacional e a Direitos Humanos 360.


“A morte e a tortura nas fronteiras da Europa tornaram-se uma alternativa aceitável à migração”, denunciou o diretor da Amnistia Internacional para a Europa, Nils Muiznieks, na videoconferência, lamentando que o atual clima político na Europa esteja inclinado “a perdoar” este tipo de violações dos direitos humanos.


Várias ONG acusam regularmente a Grécia de maus-tratos em campos de migrantes e de repressão ilegal nas suas fronteiras, o que o Governo de Atenas nega sistematicamente.



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