04 Fevereiro 2023, 05:02

MNE da Rússia, Arménia e Azerbaijão reúnem-se sexta-feira no Cazaquistão

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Erevan, 11 out 2022 (Lusa) — Os ministros dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Arménia e Azerbaijão vão reunir-se na sexta-feira em Astana, capital do Cazaquistão, anunciou hoje a diplomacia arménia.


Vahan Hunanyan, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros arménio, confirmou estarem previstos contactos trilaterais entre os ministros russo, arménio e azeri – respetivamente, Serguei Lavrov, Ararat Mirzoyan e Ceyhun Bayramov – no âmbito da Conferência de Interação e Medidas de Confiança na Ásia (CICA), que decorrerá na capital cazaque e na qual o Presidente russo Vladimir Putin vai porcurar reforçar a presença e influência da Rússia na região.


“Na sequência de uma iniciativa da parte russa, será realizada uma reunião entre as partes em Astana em 14 de outubro”, precisou Hunanyan em declarações divulgadas pela página noticiosa digital Armtimes.


A CICA, criada por iniciativa do Cazaquistão em 1992, tem por objetivo fomentar o diálogo, a tomada de posições conjuntas e a aplicação de medidas para garantir a segurança na Ásia. O organismo integra 27 países da região. Outros oito países e cinco organizações internacionais possuem o estatuto de observador.


A mais recente escalada na fronteira entre os dois países ocorreu em setembro passado, na sequência de confrontos que provocaram a morte de mais de 150 soldados dos dois países do Cáucaso.


Os combates foram os mais graves desde 2020, quando os dois países se confrontaram pelo controlo do Nagorno-Karabakh, foco de conflitos desde que, em 1988, decidiu autonomizar-se do Azerbaijão, e quando os dois países ainda estavam integrados na União Soviética.


A Arménia e o Azerbaijão declararam a independência em 1991 e o conflito, que se agudizou nos últimos meses, prosseguiu em torno do enclave do Nagorno-Kharabak, região em território azeri habitada quase exclusivamente por arménios (cristãos ortodoxos).


Este enclave declarou a independência do Azerbaijão muçulmano após uma guerra no início da década de 1990, que provocou cerca de 30.000 mortos e centenas de milhares de refugiados.


Na sequência deste conflito, foi assinado um cessar-fogo em 1994 e aceite a mediação do Grupo de Minsk (Rússia, França e Estados Unidos), constituído no seio da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), mas as escaramuças armadas continuaram a ser frequentes, e implicaram importantes confrontos em 2018.


Cerca de dois anos depois, no outono de 2020, a Arménia e o Azerbaijão enfrentaram-se durante seis semanas pelo controlo do Nagorno-Karabakh durante uma nova guerra que provocou 6.500 mortos e com uma pesada derrota arménia, que perdeu uma parte importante dos territórios que controlava há três décadas.


Após a assinatura de um acordo sob mediação russa, o Azerbaijão, apoiado militarmente pela Turquia, registou importantes ganhos territoriais e Moscovo enviou uma força de paz de 2.000 soldados para a região do Nagorno-Karabakh.


Apesar do tímido desanuviamento diplomático, os incidentes armados permaneceram frequentes na zona ou ao longo da fronteira oficial entre os dois países, culminado nos graves incidentes fronteiriços de setembro.



PCR // PDF


Lusa/Fim

Sem comentários

deixar um comentário