26 Novembro 2021, 23:17

Moçambique/Ataques: Associações civis pedem solução “holística” à SADC

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Maputo, 30 abr 2021 (Lusa) – Um conjunto de associações civis africanas apelou à Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) para que apresente uma solução “holística”, mais do que militar, para ajudar a resolver o conflito armado no norte de Moçambique.


“Uma solução puramente militarista, desprovida de medidas para resolver as causas da insurreição, aumenta a probabilidade de não se resolver o problema e é pouco provável que abra caminho para alcançar uma paz sustentável” em Cabo Delgado, lê-se num comunicado conjunto datado de quinta-feira e divulgado hoje em Maputo.


“A intervenção da SADC — seja militar, humanitária, de desenvolvimento ou de construção do Estado — deve ser avaliada pela sua capacidade de proteger todas as pessoas afetadas pelo conflito, especialmente as raparigas e mulheres, sem discriminação”, acrescentam.


O comunicado surge depois de a SADC ter destacado uma missão técnica para Cabo Delgado, a qual sugeriu num relatório, entre outras medidas, o envio de cerca de 3.000 militares de vários países para o terreno.


O documento está ainda sujeito a discussão, em data a anunciar.


As associações apelam aos dirigentes da região “para que adotem uma resposta holística para Cabo Delgado”, seguindo o compromisso da SADC com a segurança, defendendo os direitos humanos e o direito humanitário internacional.


“O apoio da África austral, do continente e da comunidade internacional para conter a violência em Cabo Delgado já devia ter acontecido há muito tempo”, acrescentam, sugerindo que sejam estudadas “lições aprendidas com outros conflitos semelhantes em África”.


“Sahel, Somália, e o Delta do Níger oferecem lembranças contemporâneas gritantes”, apontam.


Grupos armados aterrorizam Cabo Delgado desde 2017, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico, numa onda de violência que já provocou mais de 2.500 mortes segundo o projeto de registo de conflitos ACLED e 714.000 deslocados de acordo com o Governo moçambicano.


O ataque a Palma provocou dezenas de mortos e feridos, num balanço ainda em curso.


As autoridades moçambicanas recuperaram o controlo da vila, mas o ataque levou a petrolífera Total a abandonar por tempo indeterminado o recinto do projeto de gás que tinha início de produção previsto para 2024 e no qual estão ancoradas muitas das expectativas de crescimento económico de Moçambique na próxima década.



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Lusa/fim

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