20 Agosto 2022, 07:32

Moçambique/Ataques: Autoridades realojaram 45 mil famílias deslocadas em Cabo Delgado

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Maputo, 18 dez 2020 (Lusa) – O Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) de Moçambique disse hoje que, neste ano, foram realojadas em novos distritos cerca de 45 mil famílias deslocadas devido à violência armada em Cabo Delgado.


A maior parte das famílias está concentrada em Montepuez, Chiúre e Balama, distritos considerados seguros, disse o diretor para a área de Prevenção e Mitigação no INGC, César Tembe.


O responsável falava durante uma conferência de imprensa, em Maputo, após o lançamento do plano de resposta da Organização das Nações Unidas (ONU) face à crise humanitária em Cabo Delgado.


Segundo César Tembe, além de Cabo Delgado, as autoridades têm estado a assistir outros grupos deslocados que preferiram fugir para províncias vizinhas, com destaque para Nampula.


“Todas as famílias que estão sendo realojadas tem recebido sensibilização para que possam denunciar qualquer situação anómala”, declarou.


Segundo César Tembe, a assistência humanitária que a entidade tem prestado naquela província do Norte de Moçambique está a ser feita com base no plano de contingência do INGC elaborado para a época chuvosa 2019/2020, uma estratégia orçada num valor global de 7,4 mil milhões de meticais (81 milhões de euros).


A estratégia tem um défice de, pelo menos, seis mil milhões de meticais (65 milhões de euros), montante que poderá reduzir com a contribuição do plano de resposta da ONU, segundo a fonte.


A ONU anunciou hoje que precisa de 254 milhões de dólares (207 milhões de euros) para o plano de assistência humanitária às populações deslocadas, incluindo as que se refugiaram nas províncias de Niassa e Nampula, vizinhas de Cabo Delgado.


A segurança alimentar e o abrigo estão entre os principais pontos de destaque no plano de assistência da ONU, com uma verba de 136 milhões de dólares (110 milhões de euros) e 28 milhões de dólares (22 milhões de euros), respetivamente, do total de 254 milhões de dólares necessários.


A violência armada em Cabo Delgado, onde se desenvolve o maior investimento multinacional privado de África, para a exploração de gás natural, está a provocar uma crise humanitária com mais de duas mil mortes e 560 mil deslocados, sem habitação, nem alimentos, concentrando-se sobretudo na capital provincial, Pemba.


Algumas das incursões passaram a ser reivindicadas pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico desde 2019.



LYN (EYAC)// LFS


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