19 Setembro 2021, 14:07

Moçambique/Ataques: Conflito continua a agravar-se, alerta a ONU

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Maputo, 16 jun 2021 (Lusa) – O conflito armado em Cabo Delgado, norte de Moçambique, continua a agravar-se, alertam as Nações Unidas no mais recente ponto de situação, que faz um balanço da primeira metade do ano e alerta para um subfinanciamento crítico.


“O conflito continuou a crescer no primeiro semestre de 2021, impulsionando deslocações generalizadas e uma crise humanitária em rápido desenvolvimento”, alerta o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) num resumo publicado na terça-feira.


O número de pessoas deslocadas internamente pela violência “aumentou de 172.000 em abril de 2020 para mais de 732.000 pessoas até ao final de abril de 2021” – um terço das quais já teve de fugir de onde estava mais do que uma vez.


Depois do ataque a Palma, em 24 de março, e “após confrontos em todo o distrito”, o total de deslocados só daquela área ascende a 68.000 pessoas.


Pessoas em fuga ouvidas pela Lusa e outros testemunhos divulgados pelo Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) dão conta de que a situação em Palma continua instável, com tiroteios e casas incendiadas.


No resto da região, a fome é a principal consequência no dia-a-dia das famílias.


“Mais de 900.000 pessoas estão sob insegurança alimentar severa e as comunidades de acolhimento estão também a precisar urgentemente de abrigo, proteção e outros serviços”, lê-se no documento.


Os casos de malária ficaram muito acima dos níveis habituais em 2020, acrescenta.


“A grave falta de financiamento está a dificultar a resposta humanitária”, alerta a ONU. 


As agências das Nações Unidas em Moçambique “receberam apenas 22,3 milhões de dólares (18 milhões de euros), cerca de 9% dos 254 milhões de dólares (209 milhões de euros) necessários para prestar assistência, proteção e salvar vidas a 1,1 milhões de pessoas em Cabo Delgado, Niassa e Nampula”, conclui.


Grupos armados aterrorizam a província desde 2017, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico.



LFO // VM


Lusa/Fim


 

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